terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Freud (lento)


Cuidado com o flagelo que ameaça assolar os nossos dias, porventura fruto de uma conspiração internacional que envolverá o BCE, as várias Casas da Moeda da Zona Euro e sectores de actividade económica, desde logo o da produção, tratamento e comercialização de relva. Já haverá um paciente zero.

Parece que apanhar da relva uma leve e desvaliosa moeda de cinco cêntimos de euro poderá causar hematomas e sabe-se lá mais o quê. Alerte-se imediata e estridentemente todas as associações e todos os institutos que poderão, mesmo que minimamente, ajudar a humanidade a acautelar-se dos perigos decorrentes do simples acto de colectar uma moeda destas de um relvado outrora unanimemente considerado inofensivo. Chame-se a Protecção Civil. Aliás, urge a intervenção da ONU!

Há quem considere, no entanto, que episódios destes devam ser remetidos para o foro da psiquiatria. Poderá ser uma invenção, emanada de uma propensão para a mentira, de um distúrbio delirante ou da vontade de prejudicar outrem. Mas outros há que atribuem o alegado hematoma supostamente causado pela apanha, num relvado, de uma moeda de cinco cêntimos, a uma manifestação psicossomática. A vítima acredita que o hematoma existe, sente-o, mas é produto da sua imaginação.

A culpa (ou lucidez se os atos precedentes foram intencionais, mas infrutíferos) pode causar delírio e/ou transtorno. Não deverá ser assim tão raro que, por exemplo, ignorar um jogador abalroado dentro de uma área num campo de futebol e seguir critérios diferentes em várias situações de jogo semelhantes, cuja aplicação só é coerente quanto à equipa prejudicada, possa resultar numa necessidade, consciente ou inconscientemente, de vitimização. Analise-se!

Jornal O Benfica - 4/10/2019

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