segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Abençoada Taça da Liga

O título é exageradíssimo, mas serve. Disputadas umas quantas partidas do Mundial, ainda não houve uma que me despertasse tanto interesse como aquela que opôs o Benfica ao CF Estrela. Draxler e Morato de regresso, João Vítor a entrar de início, jogada maravilhosa de Rafa e Musa para golo deste, vitória que é o que interessa. Acusam-me de fanatismo pelo Benfica e eu contraponho agradecido pelo elogio.

Uma interpretação pouco atenta e abusiva é a de que não me agradam as competições de selecções. Nada mais falso. Sinto, é verdade, um desinteresse completo por jogos amigáveis, mas tal não se aplica às fases finais; pelo contrário, tento ver todos os jogos, acompanho a par e passo a competição por pura e cultivada obsessão futebolística, sem preferência.

A ausência de vínculo emocional a qualquer das equipas é debilitante, mas longe de impeditivo de apreciar o andamento da prova, sempre expectante pela equipa surpresa, pelos jogadores que mais se evidenciam ou por golos antológicos. É irrelevante quem ganha.

Mas tempos houve diferentes. Fui educado a amar o Benfica e, de vez em quando, para “desenjoar”, a vibrar com a selecção portuguesa. No entanto, sentir-me eufórico por um golo de Portugal da autoria de um jogador de um clube anti-Benfica nunca fez sentido para mim.

O meu afastamento da selecção começou precisamente nesse ponto de fricção e nas discussões que se lhe seguiam. Diziam-me “és português, tens de apoiar a selecção, os clubes não importam”, qual carneiro nobre lusitano, como que a apelarem a um patriotismo de pacotilha que para nada serve. Depois veio Scolari e as suas chantagens emocionais, o marketing do “Clube Portugal”, as bandeiras com pagodes em tudo o que era janela e a certeza de que a única utilidade séria da selecção é constituir-se como um veículo de ensino privilegiado da letra do hino nacional.

Ah, e quase deixou de haver jogadores do Benfica na selecção. O que me leva a um ponto curioso.

Foi a seguir ao Campeonato do Mundo de 2006 que deixei definitiva e completamente de ter afinidade com a equipa da federação. Tratou-se de um processo gradual de alguém que nunca se sentiu realmente ligado. Contente por ganhar, indiferente às derrotas, isso não é ser adepto. E as vitórias também se tornaram indiferentes, ao ponto de não ter podido beneficiar da extraordinária conquista, do céu caída, no europeu em 2016, e reconheço-o com alguma pena.

Ora, hoje há, na equipa da federação, três jogadores do Benfica, mais quatro (dos que interessam) formados no glorioso. Quero que tudo lhes corra bem, assim como aos futebolistas de outros países com o mesmo selo de garantia. E dei por mim a apreciar satisfeito algumas jogadas de Portugal no jogo com a Nigéria, um particular, vá lá perceber-se isto.

Eis a minha selecção: Ederson, Bah, Otamendi, Rúben Dias, António Silva, João Cancelo, Enzo Fernández, João Mário, Bernardo Silva, João Félix e Gonçalo Ramos. Suplente (não se enquadra bem, mas talvez por ter saído há pouco tempo e por aparentar não lhe ter sido indiferente jogar de águia ao peito): Darwin.

Jornal O Benfica - 25/11/2022

Números da semana (101)

1

O Benfica é campeão nacional de judo (feminino);

3

No jogo com o CF Estrela houve três estreantes com a braçadeira de capitão: Rafa, Grimaldo e Odysseas. No atual plantel, o jogador que mais vezes capitaneou a equipa de honra do Benfica é Otamendi, seguido de André Almeida;

Foram 3 os estreantes a marcar pelo Benfica na Taça da Liga (Chiquinho, Draxler e Musa). O mais goleador do Benfica na competição é Jonas, com 10 golos;

26

“Jogos oficiais” invencível desde o início da temporada. É a 4ª vez, considerando todas as competições oficiais que o Benfica não perde nos primeiros 26 jogos (anteriormente conseguiu-o em 1964/65, 1971/72 e 1977/78). Sem regionais, o Benfica encontra-se na 2ª melhor série de sempre, estando apenas por alcançar a conseguida em 1959/60 (31);

31

Com a utilização de Gil Dias frente ao CF Estrela, ascende a 31 os jogadores chamados a atuar por Roger Schmidt em competições oficiais. O único totalista é Florentino (26), seguido por Grimaldo e Odysseas, com 25. Na condição de titular, foram 23 (João Victor foi o mais recente pela 1ª vez no 11 inicial). Odysseas é o mais utilizado (2420 minutos – inclui tempos adicionais), Grimaldo o 2º (2365) e Otamendi fecha o pódio (2222);

46,67%

Percentagem conquistas benfiquistas na Taça da Liga, 7 em 15 edições;

47

Desde 2010/11, Rafa é o 4º com mais assistências para golo pelo Benfica em competições oficiais. Descolou de Salvio, neste item, no jogo com o CF Estrela. Pizzi, Gaitán e Grimaldo lideram;

70

É preciso recuar a 1989/90 (74) para se encontrar uma temporada em que o Benfica tenha marcado mais, nos primeiros 26 “jogos oficiais” (considerando todas as competições), do que os 70 golos obtidos em 2022/23.

Jornal O Benfica - 25/11/2022

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Direitos humanos ou lá o que é

Crónica publicada no Dinheiro Vivo. Também publicada, em papel, no suplemento que acompanha as edições do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

Fábrica de sonhos: Benfica

Não perca tempo a ler esta crónica. Comece já a ver o fantástico documentário “Fábrica de sonhos: Benfica” na PrimeVideo da Amazon. Creia no que lhe digo, é extraordinário, é imperdível, é Benfica!

Considero-me, porque já vi muitos, um consumidor exigente de documentários sobre futebol e basquetebol. Sei o que afirmo: o “Fábrica de sonhos: Benfica” não deve rigorosamente nada aos melhores, aliás, está claramente entre aqueles que mais prazer me deu assistir. Claro que o facto de estar relacionado com o Benfica ajuda e muito nesta percepção, mas é para benfiquistas que escrevo, confiem em mim.

Penso que todos temos noção de que o Benfica trabalha muito bem na formação de futebolistas, mas com este documentário percebemos melhor como o faz. Do scouting em tenríssima idade ao acompanhamento psicológico em fases tardias do processo formativo, está lá tudo, não só através dos testemunhos, mas também pela realidade como ela é, revelada em imagens nunca antes vistas. Acresce a excelência ao nível da realização, das filmagens e da narrativa, é realmente soberbo. E os muitos testemunhos acrescentam imenso valor, em nada prejudicados, porque a rejeita, pela costumeira salada de lugares-comuns que habitualmente ouvimos no mundo do desporto.

Agora pensa o leitor: com as expectativas tão altas, por certo desiludir-me-ei. Desengane-se! Eu próprio fui uma potencial vítima de excesso de expectativas criado por outrem e não me senti defraudado minimamente. Pelo contrário, gostei mais do que esperava. O primeiro episódio é bom, os três seguintes são fabulosos.

O “Fábrica de sonhos: Benfica” deve ser celebrado. Não só por ser muitíssimo interessante, revelador e muito bem feito, mas sobretudo por colocar o Benfica na linha da frente, também, no domínio da comunicação.

Há décadas que o futebol português é tratado, neste âmbito, como se fosse um saco de pancada; este documentário é a antítese desse lodaçal, surgindo na sequência de variadíssimos conteúdos disponibilizados na BTV e BPlay (e restantes meios) em tempos recentes e só possíveis por uma abertura de espírito até há poucos anos inimaginável. E com isso ganhamos nós, os adeptos, que somos apaixonados pelo Benfica e por desporto.

Entender a comunicação como uma ferramenta para estimular o gosto pelo clube e pelo desporto é, em Portugal, uma vitória. Ser capaz de implementá-la subordinada a essa ideia, um título. Quero mais, este é o caminho!

Jornal O Benfica - 18/11/2022

Números da semana (100)

3

Álvarez, Nicolía e Ordoñez são os 3 hoquista do Benfica campeões do mundo de hóquei em patins. Foram mais 2 na final: Diogo Rafael e Pedro Henriques;

6

São 6 os jogadores do Benfica presentes no mundial de futebol: António Silva; Bah; Enzo; Gonçalo Ramos; João Mário; Otamendi;

13

É a 16ª vez que o Benfica está invicto nos primeiros 13 jogos do campeonato, mas somente a 5ª que o consegue com, no máximo, um empate;

25

“Jogos oficiais” invencível desde o início da temporada. É a 4ª vez, considerando todas as competições oficiais (regionais, nacionais e internacionais – é também a 4ª vez excluindo as regionais) que o Benfica não perde nos primeiros 25 jogos (anteriormente conseguiu-o em 1964/65, 1971/72 e 1977/78). Sem regionais, 1959/60 substitui 1964/65 na lista);

33

Gonçalo Ramos chegou aos 33 golos pela equipa de honra do Benfica (incluindo particulares) e figura agora no top100 dos goleadores benfiquistas. Em competições oficiais soma 28;

37

Ao fim de 13 jogos o Benfica leva 37 golos marcados na presente edição do Campeonato Nacional. Para encontrar um registo mais volumoso há que recuar a 1989/90. E desde 1976/77, inclusive, só em 2 épocas o Benfica foi mais concretizador (38 em 1983/84; 40 em 1989/90);

134

Grimaldo passou a ser, a par de Salvio, o jogador com mais jogos neste estádio da Luz (inclui particulares);

250

Rafa representou o Benfica pela 250ª vez em competições oficiais. 47º com mais “jogos oficiais” pela equipa A do Benfica, é o 3º entre os atuais membros do plantel (André Almeida e Grimaldo lideram este ranking);

300

Grimaldo atingiu os 300 jogos pela equipa de honra do Benfica (incluindo particulares). É o 50º a fazê-lo.

Jornal O Benfica - 18/11/2022

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

É para ganhar!

A contribuir para o meu fascínio pela leitura está a descoberta de palavras até então ignoradas, considerando algumas delas espantosas, indecifráveis até, desaconselhando a interpretação pelo sentido. A consulta de um dicionário resolve esse constrangimento, com a vantagem de as incrustar no meu léxico. Não poucas vezes tento, depois, usá-las quase como se de um exercício de sistematização do conhecimento recém-adquirido se trate, além de beneficiar de indisfarçável regozijo.

Numa semana em que volto a escrever este artigo de opinião antes que seja realizado um jogo cuja crónica já estará publicada nas primeiras páginas, arrisco de novo o tom ditirâmbico (cá está uma palavra descoberta há uns dias).

O que o Benfica tem feito ao longo da presente temporada e, em particular, nas últimas quatro partidas, impede o mínimo refreio de entusiasmo e convoca fantasias, por ora, bem sei, delirantes.

O sorteio da Liga dos Campeões que ditou o Brugges por adversário foi rapidamente extrapolado para uma eventual viagem a Istambul em junho. A goleada infligida ao Estoril e os oito pontos de avanço para o segundo classificado logo se traduziram numa antecipação de um título sem derrotas. Mereço condescendência: sou adepto confessada e orgulhosamente fanático, a tolerância que me é devida quanto ao optimismo desenfreado deve ser ilimitada.

E depois vejo-me temporariamente assoberbado pela razão e pergunto-me se não deveria proteger-me pública e intimamente. Na (por agora) improvável circunstância de as coisas correrem mal, evitaria que rivais se rissem à minha custa, enquanto melhor preparado estaria para lidar com a desilusão. E é preciso que se note que importa distinguir entre fantasias e reais expectativas, pois sei que chegar o mais longe possível na Champions e vencer o campeonato é o que, para já, se nos permite desejar.

Mas a palavra-chave é “temporariamente”. Que a razão esteja com dirigentes, estrutura, treinadores e jogadores, afinal é a eles que compete fazer por nos dar alegrias. A nós, adeptos, cabe-nos apoiar, ajudar na medida do possível e viver o clube da forma que mais nos aprouve. Eu escolho entusiasmar-me sem reservas, ciente de que amanhã poderá ser diferente.

Vale o seguinte: às 16:58 do dia 9 de novembro de 2022, sinto-me eufórico; depois do jogo com o Estoril, e depois, e depois, e depois (…), logo se verá.

Jornal O Benfica - 11/11/2022

Números da semana (99)

5

Segue-se o Brugge na Liga dos Campeões. Não há histórico entre os dois clubes em competições oficiais, mas já houve 5 jogos particulares, um pleno de vitórias benfiquistas;

8

Chegou ao fim a melhor série de sempre do Benfica no que respeita a jogos fora sem golos sofridos no Campeonato Nacional (8). Considerando partidas de uma única temporada, foram 5 os jogos seguidos com folha limpa, a 1 do recorde estabelecido em 1975/76 e repetido em 1977/78;

12

É a 17ª vez que o Benfica está invicto nos primeiros 12 jogos do campeonato, mas somente a 5ª vez que o consegue com, no máximo, um empate;

17

João Mário lidera no somatório de golos e assistências, com 9 e 8, respetivamente. Seguem-se, com 15, Gonçalo Ramos (12+3), Rafa (11+4) e Neres (7+8);

20

João “Betinho” Gomes está no top20 dos melhores marcadores de sempre da equipa de honra de basquetebol do Benfica;

24

“Jogos oficiais” invencível desde o início da temporada. É a 4ª vez, considerando todas as competições oficiais (regionais, nacionais e internacionais – é a 5ª vez excluindo as regionais) que o Benfica não perde nos primeiros 24 jogos (anteriormente conseguiu-o em 1964/65, 1971/72 e 1977/78 – e em 1959/60 sem a Taça de Honra);

Florentino é o único totalista, com 24 “jogos oficiais”, mais um do que o quarteto constituído por Enzo, Grimaldo, João Mário e Odysseas. Em tempo de utilização, o líder é o guarda-redes grego, em campo 2229 dos 2356 minutos jogados esta época (inclui tempos adicionais);

34

Desde 1990, só por uma vez (2009/10 – 35), o Benfica marcou mais golos nos primeiros 12 jogos do que os conseguidos na presente época.

100

Gilberto cumpriu o 100º jogo pelo Benfica, incluindo particulares.

Jornal O Benfica - 11/11/2022

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Pensamento nas vitórias

Escrevo a horas do jogo em Haifa, inabalavelmente convicto de que venceremos, não obstante estar bem ciente de que esta partida se reveste de dificuldade significativa e os chamados imponderáveis estão sempre à espreita. Não se trata de triunfalismo ou optimismo desmesurado, tão somente de uma constatação irrefutável: a nossa equipa joga bem e fá-lo de forma consistente. Acaso não ganhemos, logo se verá e o apuramento está garantido, mas escrevo o que penso e, agora e até prova em contrário, é só na vitória que penso.

O desempenho da equipa, desde o início da temporada, é o mote para este estado de espírito. Nesta página, assumi as minhas legítimas expectativas de um bom resultado na deslocação a Paris. A anteceder o jogo com o Porto, declarei que ganharíamos. Porém, não menosprezemos a inevitável dose de crença; afinal, por vezes, até o ateu mais empedernido se deixa enredar em algo do domínio da fé.

É claro que, após uma semana em que “banquete de futebol” foi a expressão mais usada para caracterizar as exibições do Benfica ante Juventus e Chaves – adequada embora redutora, faltando-lhe acrescentar “pantagruélico” – nada mais é natural do que um reforçado optimismo.

Até porque as ditas exibições surgiram na sequência de uma importante vitória frente ao Porto, logo seguidas de tentativas de minimização da “qualidade” do triunfo tão confrangedoras quanto esperadas. O título do livro, acaso existisse, seria “Propaganda para totós à moda do Porto”.

Toda aquela conversa bafienta sobre o suposto mérito do vencido por oposição ao, deixem-me rir, demérito do vencedor, por acaso logo abafada pelo embate violentíssimo com a realidade na jornada seguinte, lembrou-me uma ideia de John Milton, acérrimo defensor da liberdade de expressão no século XVII, que me arrisco a adaptar.

Os dislates do Conceição após o jogo e a reprodução acrítica dos mesmos por certa comunicação social são como se fechassem os portões do parque natural da excelência futebolística para que as águias não o sobrevoassem. Em suma, inútil. Porque não nos afecta e, sobretudo, nem eles terão acreditado no que disseram. E a caravana passa…

Ganhar ao Estoril!

Jornal O Benfica - 4/11/2022

Números da semana (98)

1

Com a ausência de Enzo em Haifa, ficou reduzido a 1 o número de jogadores utilizados por Roger Schmidt em todos os jogos oficiais, Florentino. Com 21 participações há Enzo, Grimaldo, João Mário e Odysseas;

1’51’’

Pertence agora a Neres o golo do Benfica mais madrugador da temporada. Dos 52 golos apontados, apenas cinco ocorreram nos primeiros 15 minutos de jogo (dois dos quais frente ao Chaves);

11

É a 5ª vez que o Benfica está invicto nos primeiros 11 jogos do Campeonato com, no máximo, um empate. Em 1972/73 e 1982/83 venceu todos os jogos. Na presente época, em 1960/61 e 1983/84 venceu 10 vezes e cedeu 1 empate. 29 golos marcados é um registo superado apenas uma vez desde 1990/91, inclusive. Melhor desempenho defensivo do que os 5 golos sofridos em 2022/23 só aconteceu uma vez desde 1991/92, inclusive. E os 8 jogos sem qualquer golo permitido a adversários só foi suplantado duas vezes em toda a história (1980/81 e 1990/91);

14

Está estabelecido o novo recorde benfiquista de pontos na fase de grupos da Liga dos Campeões e o 1º lugar foi alcançado na última jornada, na qual marcou 6 golos, também recorde nesta fase da competição;

16

João Mário lidera o ranking “golos + assistências”, com 16 (8+8). Seguem-se Gonçalo Ramos (12+3), Rafa (11+4) e Neres (6+7);

22

“Jogos oficiais” invencível desde o início da temporada. É a 5ª vez, considerando todas as competições oficiais (regionais, nacionais e internacionais) que o Benfica não perde nos primeiros 22 jogos (anteriormente conseguiu-o em 1964/65, 1971/72, 1977/78 e 2011/12);

100

Com o Chaves, Otamendi atingiu a marca redonda dos 100 jogos em competições oficiais pelo Benfica.

Jornal O Benfica - 4/11/2022

Números da semana (178)

1 Terminadas as principais 7 ligas europeias e a Liga dos Campeões, Trubin foi o melhor guarda-redes sub-23 nos seguintes dados estatístic...