terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Ao (des)milímetro


A velocidade média de um jogador de futebol, quando arranca e sprinta, é 29 Kms/hora (35 metros em 4.3 segundos). Ou seja, ligeiramente acima de 8 metros por segundo. Se o VAR, em Portugal, usar 300 frames por segundo, o que estaria na vanguarda deste tipo de tecnologia, significa que, entre cada frame, há uma distância média de 2,7 cms.

Escolher o frame exacto é, de certa forma, aleatório, e as linhas têm de coincidir com a parte do corpo mais adiantada (de dois jogadores, outro passo complicado). Portanto, é evidente que deveria haver uma margem de erro suficiente para prevenir os erros até certa medida. E a lei do jogo até é indicativa de quem deverá ser beneficiado nessa margem: os atacantes.

Acontece que o Benfica teve um golo anulado devido a um fora-de-jogo, supostamente, por escassos quatro centímetros. Dois frames antes, em 300 (0,006666 segundos antes), e as linhas rigorosamente colocadas e possivelmente teria sido golo.

Felizmente ganhámos e este lance foi irrelevante para definir o vencedor. Assim como o da grande penalidade por marcar a nosso favor, numa falta mais que evidente sobre Rúben Dias. Se no fora de jogo abusivamente assinalado houve centímetros a mais, no (não) penálti houve, nas lentes de árbitro e vídeoárbitro, se as usam, dioptrias a menos. Ou não precisam de lentes, o que piora a situação. Não me surpreende, infelizmente.

P.S. A propósito do trágico falecimento de Kobe Bryant, além de manifestar o meu pesar e partilhar a enorme admiração que lhe devotei, apraz-me referir que as homenagens póstumas, como os cemitérios, servem mais aos vivos do que aos mortos. Esta é uma das razões, talvez a principal, do meu orgulho pelo nosso extraordinário museu.

Jornal O Benfica - 31/1/2020

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