sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Os Sísifos


Não se apoquente: “O Novo Banco cancelou uma conta caucionada de perto de 70 milhões de euros ao Benfica (...) que se encontra sob forte pressão de financiamento (...) e perde o seu parceiro financeiro predilecto numa altura especialmente difícil. (...) O Benfica enfrenta necessidades de refinanciamento ou de reembolso de créditos de quase 200 milhões de euros. (...) É com estes números na cabeça que se pode explicar a saída de jogadores. (...) Do susto ao pânico é um passo pequeno. (...) Os custos desportivos serão aferidos a partir de Setembro, altura em que a janela das transferências se fecha e quando se abrem as verdadeiras caixas de Pandora”.

Este artigo de opinião alarmista, embora trasvestido de notícia, foi publicado no Expresso, em agosto de 2014. Desde então, o Benfica venceu três campeonatos e outros títulos e troféus e apresentou as melhores contas da história da Benfica, SAD. Abriu-se, de facto, uma verdadeira caixa de Pandora: Se esta peça atesta a qualidade jornalística da grande referência do jornalismo em Portugal, imagine-se a de outras publicações...

Mas os gregos, que eram dados à tragédia, não se ficaram por Prometeu e Pandora. Hermes, por seu turno, ocupou-se de Sísifo, condenando-o perpetuamente a empurrar uma pedra até ao cume de uma montanha, a qual resvalaria sempre que o pobre Sísifo alcançasse o destino. Hoje, em tempos de maior civismo e urbanidade, talvez fosse condenado a desempenhar as funções de jornalista, tendo que, ciclicamente, escrever um artigo premonitório, nas parangonas, de caos benfiquista, mas desoladoramente (para ele) inócuo no conteúdo. Ou talvez não, que o que interessa é vender jornais hoje, amanhã sabe-se lá...

Jornal O Benfica - 28/9/2018

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Saudação ao SCP


Não me cabe tecer comentários sobre o resultado das eleições leoninas, mas apraz-me constatar que os sócios do Sporting Clube de Portugal souberam pôr cobro a um período de loucura cujas consequências extravasaram o domínio sportinguista. O anterior presidente do Sporting não representava somente um problema para o clube que dirigiu, mas para o desporto português. O risco de contaminação a dirigentes de outros clubes existiu e seria nefasto se tivesse ocorrido.

Um sportinguista, daqueles fervorosos brunistas, poderá interpretar o parágrafo anterior como uma mal disfarçada manifestação de alívio. Não poderá estar mais enganado. Para mim, enquanto benfiquista que cresceu a encarar o Sporting enquanto rival, nada mais me satisfez que derrotar um Sporting liderado por um arrivista grosseiro movido a ódio ao Benfica, cujas palavras de ordem logo eram repetidas até à exaustão por uma turba predisposta a tudo, assim prevalecesse a miragem de um Benfica subjugado. Bruno de Carvalho, que andou a ser levado em ombros por quem, mais tarde, demasiado tarde, se encarregou de o escorraçar, não surgiu de geração espontânea nem andou a pregar sozinho num deserto. Bruno de Carvalho foi o produto de vários factores, incluindo a deriva anti-benfiquista crescente.

Mas adiante, o passado já lá vai e mesmo algumas das afirmações anti-benfiquistas produzidas ao longo da campanha não me tiram o sono (até me entusiasmam, de certa forma). Afinal, havia que ganhar eleições e todos sabemos que um sportinguista, perante os seus correligionários, pouco ou nada é ouvido se, entre loas ao Sporting, não professar o anti-benfiquismo. Fica-lhes bem, entre eles, e serve-nos na perfeição.

Jornal O Benfica - 14/9/2018

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Bom começo


Passados 27 dias e 8 jogos, o Benfica lidera o Campeonato Nacional e assegurou a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões, patenteando um nível exibicional entusiasmante e consistente, só pecando, em alguns dos jogos, pela escassa eficácia na concretização das inúmeras oportunidades criadas. Sem Jonas nem Krovinovic, entre outros, mas com Gedson e João Félix, produtos do excelente trabalho feito no Seixal (a que se lhes junta o “veterano” Rúben Dias e Alfa Semedo entre os utilizados).

Não por acaso, de acordo com um relatório do CIES sobre a facturação com a venda de passes de atletas para os cinco principais campeonatos europeus entre 2010 e 2018, o Benfica surge na oitava posição, com 618 milhões de euros, a apenas dez do quarto neste ranking, o Barcelona. Saliente-se que, neste período, o Benfica conquistou cinco Campeonatos Nacionais, duas taças de Portugal, seis Taças da Liga e três Supertaças, além de ter disputado duas finais da Liga Europa e ter sempre participado na fase de grupos da Liga dos Campeões a partir de 2010/11. Só este percurso desportivo permite o enaltecimento do sucesso financeiro, agora fortalecido pela recente amortização integral do endividamento à banca.

Será esta a razão que levou, subconscientemente, a antiga deputada à Assembleia da República e psicóloga Joana Amaral Dias a clamar pela extinção da Benfica, SAD? Não sei, a especialista é ela. Do meu ponto de vista, manifestamente leigo, limito-me a citá-la: “O maior risco, quer para as pessoas discriminadas quer para o público, encontra-se nos preconceitos e desinformação”. Então se partir do roubo de emails e deturpação e descontextualização do conteúdo dos mesmos, nem se fala...

Jornal O Benfica - 7/9/2018

Futebolês

No estrangeiro e sem tempo para a habitual crónica, avanço com algumas sugestões que, eventualmente, não carecem de revisão, para um dicio...