terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Até estou “aparfalhado”

Já não bastava a arbitragem miserável no Benfica – Moreirense, ainda somos, de acordo com a comunicação social, alvos de uma queixa da APAF ao Conselho de Disciplina da Federação devido às críticas feitas ao desempenho dos árbitros.

Coitaditos. Uma equipa de arbitragem com evidente influência no resultado, sendo que o VAR é reincidente no prejuízo ao Benfica na presente temporada, não pode ser criticada por quem, legitimamente, se sente lesado.

E as críticas até foram dirigidas com bons modos, saliente-se. Ninguém foi apelidado de ladrão, corrupto ou incompetente, como muitos benfiquistas, por certo, e no fervor da frustração nem se pode levar a mal, gostariam que tivesse sido feito.

Na página de entrada no site da APAF pode ler-se que “o Respeito (sic) é algo necessário e insubstituível. Respeitar é aceitar. É ver o outro como igual e viver em harmonia”. E um pouco abaixo: “O Respeito (sic) que dás recebes de volta”. Respeito, que é muito bonito, sempre com maiúscula, atenção.

E eu pergunto: o árbitro Rui Costa respeitou o Benfica, os profissionais do Benfica e os benfiquistas quando passou um jogo inteiro a permitir que o guarda-redes adversário perdesse tempo a repor a bola em jogo? Foi respeito que teve quando só à 10 ou 15ª oportunidade mostrou o amarelo devido (a caminho dos 96 minutos)? Foi respeito o que o levou a interromper uma jogada por uma suposta falta, que não se veio a descortinar nas repetições, no segundo anterior ao Benfica marcar um golo? O VAR Bruno Esteves respeitou o Benfica ao não indicar o fora de jogo clamoroso no golo do Moreirense? E respeitara no Estoril ao não indicar a falta evidente sobre Gonçalo Ramos no golo dos estorilistas?

Afinal, para a APAF, o respeito é assim tão “necessário e insubstituível”? É “aceitar”, “viver em harmonia”? Que respeito, com ou sem maiúscula, merecem de volta estes árbitros da parte do Benfica?

P.S.: Há benfiquistas defensores de não se falar de arbitragens quando a equipa joga mal. Discordo. Os campeonatos fazem-se de pontos, não de exibições. O Benfica está a fazer um mau campeonato, mas deve, por isso, ser lesado pela arbitragem como foi com Porto, Estoril e Moreirense?

Jornal O Benfica - 21/1/2022

Números da semana (58)

7

Depois de um início titubeante, a nossa equipa de hóquei em patins vai em 7 triunfos consecutivos no Campeonato;

20

Darwin tem 20 golos de águia ao peito no Campeonato. Fê-lo em 44 jogos. No entanto, há que realçar que, na presente temporada, soma 14 golos em 15 partidas. Em todas as competições oficiais leva 33 desde que chegou ao Benfica, 19 em 2021/22. Neste estádio da Luz, incluindo particulares, já é o 15º com mais golos (16);

50

Weigl chegou aos 50 jogos no estádio da luz (incluindo particulares), é o 47º a consegui-lo;

95:30

Tempo de jogo quando o árbitro Rui Costa admoestou o guarda-redes do Moreirense com cartão amarelo por perder tempo em pontapés de baliza. Pareceu gozo que só o tenha feito perto do apito final, dado o recorrente comportamento do adversário, sempre sob a complacência do líder da equipa de arbitragem, a qual, validou um golo irregular do Moreirense e cortou uma jogada limpa no instante anterior ao de Gonçalo Ramos marcar. A nossa equipa não esteve bem, mas com uma boa arbitragem teria ganho a partida. E acresce a coincidência do VAR, Bruno Esteves, já no Estoril não ter visto a irregularidade no golo estorilista frente ao Benfica. 4 pontos perdidos devido, também, à incompetência deste indivíduo;

230

Grimaldo passou a integrar o top 50 de futebolistas com mais “jogos oficiais” pela equipa de honra do Benfica, acompanhando agora Hélder e Simão na 50ª posição deste ranking;

527

De acordo com o CIES football observatory, o Benfica teve, desde o início de 2018/19, um penálti favorável a cada 527 minutos no Campeonato, o que o coloca na 178º posição dos minutos por penálti entre os clubes de 31 Campeonatos Nacionais da Europa. O Porto é o 6º, o Sporting o 8º.

Jornal O Benfica - 21/1/2022

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

"Veia" exportadora

Crónica publicada no Dinheiro Vivo. Também publicada, em papel, no suplemento que acompanha as edições do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

Dinheiro Vivo - 15/1/2022

Ai Portugal...

Parafraseando Machado de Assis, para quem Belo Horizonte não era uma cidade, mas uma exclamação, em certos aspectos Portugal não é um país, mas uma lamentação.

Nos últimos dias temos sido bombardeados com o conteúdo de escutas no âmbito de um processo de investigação que, se bem percebo, está ainda numa fase em que o acesso é muito limitado, restrito ao Ministério Público e, eventualmente, a partes interessadas como a Autoridade Tributária e outros. Nem sequer os visados terão conhecimento oficial do conteúdo das investigações. Certo é que a comunicação social parece estar inteirada de tudo o que tem sido feito na investigação (ou do que interessa que se saiba), ao ponto de conhecer o conteúdo das escutas efectuadas, ou parte delas.

Nada disto é novo. O segredo de justiça, em Portugal, é uma brincadeira. A doutrina vigente neste tema aparenta ser inspirada num verso da “The Fly”, dos U2, em que Bono canta “diz-se que um segredo é algo que se conta a alguém”. E alguém, aqui, trata-se da comunicação social que, em troca de um punhado de euros nas bancas e cliques na internet, escudando-se numa noção vaga de interesse público, aceita servir de ponta de lança na formação da opinião pública, fomentando-se o julgamento popular para que se condicione a justiça, o que, a acontecer de facto, é absolutamente inaceitável.

Para agravar a situação, parte significativa do que tem vindo a ser noticiado nem sequer parece estar relacionado com o processo em causa. Refiro-me a conversas privadas, nada ou, quando muito, remotamente relevantes para o que está a ser investigado, como, por exemplo, um treinador sugerir outro treinador para o Benfica. É nojento, é uma devassa ignóbil ainda mais aviltante do que aquela que foi feita com os emails roubados ao Benfica, pois, nesse caso, houve ladrões e receptadores, neste há uma fuga de informação, presumivelmente do Ministério Público, restando saber se propositada ou não, e já são demasiadas fugas ao longo dos anos para se aceitar acriticamente que o país é assim, faz parte, não se pode fazer nada.

Salva-se o seguinte: no meio de tanta coisa que tem vindo a público, nada aponta para que o Benfica tenha agido erradamente nos âmbitos ético, legal ou fiscal. O que se terá passado a jusante, que seja investigado. E se se concluir que houve ilicitudes, então que sejam provadas e os prevaricadores devidamente castigados.

Jornal O Benfica - 14/1/2022

Números da semana (57)

20

Seferovic assistiu Grimaldo para golo e chegou às 20 assistências ao serviço do Benfica, sendo agora o 9º, a par de Zivkovic, com mais passes ou cruzamentos resultantes em golo nas últimas 10 temporadas;

26

Vlachodimos deixou de ser o jogador utilizado mais vezes na condição de titular na presente temporada, estando agora acompanhado por Grimaldo e João Mário. Seguem-se Otamendi e Vertonghen, com 25, e Weigl, 24. Rafa é quem participou em mais jogos (30), seguido de João Mário (29), Everton, Grimaldo e Weigl (28). Relativamente ao tempo de utilização (incluindo tempos adicionais), o líder é Vlachodimos (2475). Acima dos 1700 minutos em campo estão Vertonghen (2409), Otamendi (2382), Weigl (2341), Grimaldo (2316), Rafa (2266) e João Mário (2231);

150

Jogos de Grimaldo no Campeonato Nacional, dos quais 144 no 11 inicial. Fez 12 golos na prova. Em todas as competições oficiais pelo Benfica, Grimaldo foi utilizado em 229 jogos (marcou 17 golos);

184

Seferovic passou a integrar o top70 de futebolistas com mais jogos em competições oficiais pela equipa de honra do Benfica. Participou em tantas partidas como Jonas e Quim. Leva 74 golos e é o 31º mais goleador na história do clube em “jogos oficiais”;

1500

Mais de 1500 testes efectuados nas imediações do estádio da Luz, de modo a facilitar o acesso ao Benfica -Paços de Ferreira. Boa medida!

1700

O Benfica chegou às 1700 vitórias, em 2483 jogos, no Campeonato Nacional;

6000

Grimaldo foi o autor do 6000º golo do Benfica no Campeonato Nacional. Uma longa e gloriosa história iniciada por Valadas, aos 6 minutos do primeiro jogo da prova, em 1934. Naturalmente, Eusébio foi quem marcou mais (317), seguido de José Águas (289) e Nené(264).

Jornal O Benfica - 14/1/2022

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Plantel Glorioso

 

Publicado em novembro de 2014, o "Plantel Glorioso" foi o meu quarto livro e chegou à terceira edição. Novamente em parceria com o Fernando Arrobas, foi o terceiro que escrevemos juntos. E a ideia foi simples.

Haverá exercício mais comum entre adeptos de futebol do que aquele em que se elenca o melhor onze de todos os tempos, seja de um clube, de um país, de uma competição ou mesmo a nível mundial?

Mas a gloriosa história do Benfica, centenária e bem sucedida desde os primeiros passos, está repleta de protagonistas. Conforme escrevemos a dada passagem da introdução, "ao longo das décadas, foram muitos os atletas e treinadores que se notabilizaram pelo seu valor, empenho e títulos conquistados. O sucesso benfiquista assim o obriga a reconhecer pois, como é sabido, não existem grandes equipas sem bons técnicos nem bons jogadores."

Esta constatação foi a condicionante inicial. Como escolher, entre tantos, apenas onze, para mais subjugados às posições? Faça-se um plantel. Um plantel glorioso!

Assim, ao invés de nos limitarmos a onze jogadores e um treinador, optámos por 26 dos primeiros e três dos segundos, sabendo, de antemão, que a selecção continuaria a ser complicada e que escolhas difíceis teriam de ser feitas.

Mesmo optando-se por 26, haveria injustiças, mas, com isso, mitigou-se essa inevitabilidade. E havia ainda o problema de, entre mim e o Fernando, apesar de razoáveis conhecedores da história do Benfica, o "Plantel Glorioso" ser refém da mescla de duas visões pessoais, que poderia, ou não, coincidir com aquela dos benfiquistas em geral. Convidámos então cem benfiquistas para participarem na votação.

Definido o processo, receámos que o Plantel Glorioso pudesse ser influenciado demasiadamente pela espuma dos dias. A forma que encontrámos de esbater a sobrevalorização do quotidiano e do passado recente passou por conceber um questionário em que sugerimos, por posição, conjuntos de jogadores. Junto do nome de cada atleta constavam dados como o número de épocas, jogos, golos e troféus, deixando a possibilidade em aberto de se votar noutros atletas além daqueles constantes no questionário. Sabíamos que jogadores como Vítor Silva, Guilherme Espírito Santo ou Julinho, entre outros, não seriam escolhidos, mas constavam do questionário e, no mínimo, seriam considerados pelos votantes. 

O juri foi composto por cem benfiquistas. Limitados à nossa rede de conhecimentos (em sentido muito amplo), procurámos constituir um grupo ecléctico, tanto a nível etário como das várias sensibilidades entre benfiquistas, vedado, no entanto, a antigos futebolistas. Não me surpreenderam a pronta aceitação e a rápida resposta dos intervenientes. Estava convicto, e não me enganei, de que a premissa do livro era válida: todos gostamos desta brincadeira do melhor onze de sempre.

Cada participante poderia escolher, além de três treinadores, 26 jogadores distribuídos de seguinte forma: três guarda-redes, dois laterais de cada lado, quatro centrais, quatro médios centro, dois extremos de cada lado e quatro avançados, mais três jogadores de qualquer posição. Os treinadores e jogadores com mais votos por posição seria os seleccionados.

Recolhidas as respostas e estabelecido o "Plantel Glorioso", lançámos mãos à obra. Para cada posição há um texto em que versamos sobre os grandes jogadores que nela se notabilizaram, seguido de micro biografias dos jogadores e treinadores seleccionados, acompanhadas dos dados estatísticos de desempenho e conquistas. As escolhas de cada votante constam no livro.

Em 4-4-2, os seleccionados foram os seguintes (ordenados por número de votos):

Guarda-Redes: Bento; Preud'homme; Costa Pereira.

Defesas laterais: Veloso; Artur Correia; Ângelo; Fábio Coentrão.

Centrais: Humberto Coelho; Mozer; Ricardo Gomes; Germano; Luisão.

Médios: Coluna; Rui Costa; Valdo; Toni; Shéu.

Extremos: Chalana; José Augusto; Simões; Diamantino.

Avançados: Eusébio; Nené; José Águas; João Pinto; José Torres.

Treinadores: Sven-Goran Eriksson; Béla Guttmann; Jorge Jesus.

Atenção

Já há uns anos que a deriva revisionista leonina em torno do palmarés do Sporting está em marcha. O inesperado regresso leonino ao título fez recrudescer o tema, em função da habitual parafernália comunicacional e comercial nestas ocasiões.

Mas o Sporting não se limitou a reclamar quatro campeonatos que não conquistou através da sua comunicação com os adeptos. Fez também uma exposição à Federação Portuguesa de Futebol, acompanhado por um parecer encomendado e favorável às suas pretensões.

Nisto a FPF, ao invés de rejeitar liminarmente a solicitação, terminando o assunto, optou por “estudar” o caso. Está por se saber o que concluiu, sendo que a possibilidade aventada de consulta às Associações é, por si só, um absurdo lamentável que deixa qualquer adepto interessado no assunto, desde que respeitador dos factos, desesperado com tamanha tentativa de atropelo da história.

Entretanto, no canal 11 da FPF, dedicado em grossa parte à promoção de Cristiano Ronaldo e à dissecação diária dos problemas, reais, especulados ou imaginados, do Benfica, passou publicidade enganosa ou, talvez melhor dizendo, uma narrativa ficcional publicitária a um produto de merchandising do Sporting em que, erroneamente, se referem 23 títulos nacionais leoninos, ao invés dos oficiais e verdadeiros 19, aliás conforme ainda consta no palmarés da prova divulgado pela FPF. E é um relógio: se nem os títulos certos dá, o que esperar das horas e minutos? Presume-se que estará sempre muito adiantado.

Ora, tudo isto seria apenas caricato se a FPF, como deveria, respeitando o decidido pela própria em 1938, não se tivesse colocado numa posição confrangedora ao aceitar sequer discutir o assunto. Não o fez e é, por isso, espantoso e vergonhoso que a FPF, em 2022, possa pôr em causa o que a FPF e Associações decidiram em 1938 sobre uma situação ocorrida nesse ano, como se aqueles então em funções desconhecessem o carácter de cada competição e precisem agora de ser ensinados sobre o que foi o Campeonato de Portugal, as quatro primeiras edições do Campeonato Nacional e o que veio a ser a Taça de Portugal.

Seria demasiada presunção e lata para que uma iniciativa tão inenarrável como esta pudesse vingar. É inaceitável que se tenha permitido uma tentativa de deturpação da história do futebol português tão leviana e desonesta. Que haja bom senso por parte da FPF para que este dislate revisionista não passe da tentativa mesquinha que é.

Jornal O Benfica - 7/1/2022

Números da semana (56)

2

Anos de Bplay, um projeto que merece mais atenção dos benfiquistas e que foi essencial para a disponibilização, também noutras plataformas de comunicação do Benfica, de conteúdos diferenciados, mais direcionados para os adeptos;

3

A equipa A do Benfica, agora liderada por Nélson Veríssimo, voltou ao “tradicional” e predominante nas últimas 4 ou 5 décadas 4-4-2. Foi apenas a 3ª vez num “jogo oficial” da presente temporada que se apresentou neste modelo (Arouca, Tondela foram os anteriores). As aspas são propositadas: convencionou-se que a tradição benfiquista nos remete para o 4-4-2, mas, em rigor, vencemos a Taça Latina com o WM, as Taças dos Clubes Campeões Europeus em 4-2-4 e fomos campeões invencíveis em 4-3-3. Têm razão os que dizem que mais importante do que o modelo são as dinâmicas;

39

Rafa, com a assistência para golo de Yaremchuk no último jogo no Dragão, a 14ª na presente época, chegou às 39, o que o coloca na 5ª posição, a par de André Almeida, dos jogadores com mais assistências nas últimas 10 temporadas (desde 2012/13). Pizzi (94), Gaitán (58), Grimaldo (42) e Salvio (41) são os líderes nesta contagem;

301

André Almeida chegou aos 301 jogos em competições oficiais pela equipa de honra do Benfica. Foi o 31º a consegui-lo e igualou o registo de João Pinto, o 30º no ranking. Incluindo jogos particulares, é o 36º, com 344 jogos;

2911

Pontos marcados por “Betinho” Gomes no Benfica, superando Carlos Andrade. É o 24º melhor marcador de sempre do basquetebol benfiquista (não inclui o jogo com o Sporting – ficou a 7 de Luís Silva) e já é preciso recuar a Sérgio Ramos (10º), retirado em 2012, para encontrar o atleta numa posição acima neste ranking que deixou de jogar pelo clube há menos tempo.

Jornal O Benfica - 7/1/2022

Desilusão

Agora há muitos que se acotovelam para liderarem o pelotão dos que relembram o seu desacordo quanto ao regresso de Jorge Jesus ao Benfica ou renegarem, por cinismo ou esquecimento, a sua concordância aquando da contratação. Não pertenço a nenhuma destas tipologias.

Na altura fiquei entusiasmado, apesar de nunca ter sido um admirador da personagem pública Jorge Jesus. Concordei com os pressupostos do regresso: inegável bom percurso anterior no Benfica, complementado com maior experiência e enorme sucesso no anterior clube, o Flamengo. Discordei dos que agoiraram o passo dado em função de uma ideia supostamente verdadeira –não se dever regressar a uma casa onde se foi feliz – pois sobejam exemplos, mesmo no Benfica, que a contrariam, vide Otto Glória ou Eriksson.

Mas a época do regresso de Jorge Jesus foi desapontante. Houve, porém, acontecimentos extra-futebolísticos que justificaram, pelo menos em parte, os maus resultados e o futebol pouco entusiasmante. Faltava aferir em que medida esses acontecimentos prejudicaram o rendimento da equipa, mas em alguma medida certamente o fizeram.

E esta época, sobretudo caracterizada pela inconsistência, em que resultados muito bons contrastaram com desilusões gritantes, veio exacerbar a análise crítica do que se passara no ano anterior do ponto de vista estritamente futebolístico, fomentando um ambiente cada vez mais impropício para a continuidade do treinador. Acresce a sensação, verdadeira ou falsa, de que os próprios jogadores já não acreditavam que poderiam ganhar títulos com aquele líder da equipa, o que, na minha opinião, é geralmente o que define a irreversibilidade do adeus de um treinador.

Chegados a este ponto, centremo-nos no mais relevante: ainda há muito por conquistar nesta época. Confio que saberemos ultrapassar esta fase e que rapidamente voltaremos ao trilho do sucesso. Se não for ainda nesta temporada, que se aproveite para aumentar as possibilidades de ser na próxima.

Jornal O Benfica - 30/12/2021

Números da semana (55)

6

Veríssimo volta a ser chamado a liderar a equipa A do Benfica. Na vez anterior, após a saída de Bruno Lage, dirigiu a equipa em 6 jogos, com 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Uma diferença relevante em relação à anterior passagem pelo cargo é a de que, desta vez, tem a experiência de ter comandado, com muito sucesso, a equipa B, antes fora adjunto de Lage. Realce para o excelente campeonato que a equipa B está a fazer, em que, à 15ª jornada, liderava a prova com 4 pontos de avanço, fruto da maior pontuação de sempre do Benfica na II Liga até essa jornada (33 pontos, 10 vitórias, 3 empates);

18

Pizzi completou 356 participações em “jogos oficiais” pelo Benfica, igualando o registo de Cruz. É agora o 18º com mais jogos de sempre de águia ao peito em competições oficiais. A glória imediatamente acima nesta lista é Costa Pereira, com 366 partidas. Nestes 356 jogos marcou 94 golos, é o 23º mais concretizador, com os mesmos golos de Simão, o 22º;

300

André Almeida atingiu a marca dos 300 jogos em competições oficiais pela equipa de honra do Benfica. É o 31º a chegar às 3 centenas e faltam-lhe 15 partidas para ser o 25º, a par de Diamantino, neste ranking. É o 5º com mais jogos no actual estádio da Luz. No ranking de “jogos oficiais” seguem-se, no actual plantel, Grimaldo, com 228 (52º), e Rafa, com 210 (58º);

408

Chegou ao fim a segunda era Jorge Jesus no banco benfiquista. Orientou a equipa em 408 jogos de competições oficiais, o máximo entre os treinadores da equipa de honra de futebol do clube (69,12% vitórias (282), 15,44% empates (63) e 15,44% derrotas (63), considerando vitórias ou derrotas os jogos com desempate nos penáltis; 2,10 golos marcados por jogo, 0,81 golos sofridos por jogo).

Jornal O Benfica - 30/12/2021

O costume

Não acredito na bondade intrínseca das pessoas. Acho essa ideia ingénua e até paternalista. Do mesmo modo, considero cínico partir-se do princípio de que a maldade é inata, produto de uma personalidade defeituosa, influenciadora de todas as escolhas ao longo da vida. Parece-me evidente que o contexto e as circunstâncias são também determinantes e, nesse sentido, não se deve criticar demasiado os dirigentes sportinguistas.

Mudam os tempos e os protagonistas, permanece a aversão ao vermelho. E se esta se manifestasse no respeito da normal rivalidade, daí não viria problema ao mundo, por cá faz-se isso mesmo, há desprezo, acinte e outros que tal, e todos temos direito às nossas preferências e embirrações.

Mas do lado de lá da 2ª circular vai-se mais além. Será sentimento de inferioridade exacerbado? Ressentimento profundo? Inveja empedernida pela habitual – por vezes, infelizmente interrompida – subalternização social e desportiva? Desconheço a resposta. Não há-de ser da proximidade ao aeroporto, ainda mal os aviões voavam e já era assim.

Isto para referir que só mesmo dirigentes do Sporting poderiam defender, porque o Benfica seria afectado de alguma forma, que alterações a regras de competição desportiva devessem ser retroactivas. São assim os paladinos da ética, bons costumes e tudo o mais que gostam de apregoar. Dizem-se diferentes e nem assim se socorrem da psicanálise. Logo eles que, com a boca cheia de supostas virtudes, nem por um segundo pestanejaram antes de revolverem os regulamentos e as leis para que um castigado por acumulação de cinco amarelos pudesse continuar a jogar, o que veio a acontecer, e lá terão pensado “tão espertos que nós somos, ó lampiões”. E se de repente os clubes se lembrassem de inviabilizar, com efeitos retroactivos, o que o Sporting fez na temporada passada para Palhinha continuar a jogar? Que se lixe a retroactividade, a culpa é do Benfica!

Mas eles não são maus e não há ingenuidade alguma nesta constatação. Isto porque não são bem eles o que vemos, antes uma representação do que eles consideram que devem ser. E o guião diz “anti-Benfica”, coitados.

Jornal O Benfica - 24/12/2021

Números da semana (54)

2

Votos favoráveis à retroatividade da aplicação da nova regra que define que um jogo só pode ser iniciado se houver um mínimo de 13 jogadores. Do proponente, B Sad, e do Sporting, sempre na vanguarda da defesa da ética e da legalidade, se lhes interessar, claro…;

4

Assistências para golo de Rafa na goleada ao Marítimo. Desde Pizzi, no 10-0 ao Nacional em 2018/19, que nenhum jogador do Benfica fazia 4 passes para golo num só jogo. E já vão 13 nesta época, o máximo de carreira de Rafa por temporada, passando a ser o 6º futebolista do Benfica com mais assistências nos últimos 10 anos (também é o 6º neste estádio da Luz, a par de Nuno Gomes). E soma 11 golos, igualando o seu 2º melhor desempenho, por época, no Benfica;

6

Foram 6 os marcadores dos golos benfiquistas ante o Marítimo. Não havia tantos jogadores a marcar num jogo desde os 10-0 ao Nacional, no qual foram 8 os goleadores de serviço;

7

Embalado pelo hat-trick em Famalicão, Darwin bisou frente ao Covilhã e ao Marítimo, somando 18 golos pelo Benfica em 2021/22, mais 4 que no ano de estreia. Está a 7 de integrar o top 60 dos goleadores benfiquistas em “jogos oficiais”;

23

André Almeida passou a ser, ex aequo com Maxi Pereira, o 3º com mais jogos pelo Benfica na Taça da Liga;

30

Com a estreia de Tomás Araújo, passam a 30 os utilizados por Jorge Jesus em competições oficiais nesta época;

46

Desde 1972/73 que o Benfica não marcava tantos golos nas primeiras 15 jornadas do Campeonato. De 1951/52 em diante, o registo da presente época só foi superado três vezes (52 em 1964/65; 50 em 1963/64; 49 em 1972/73);

1003

O Benfica ultrapassou a barreira dos 1000 golos marcados sob a orientação de Jorge Jesus (incluindo jogos particulares).

Jornal O Benfica - 24/12/2021

Números da semana (178)

1 Terminadas as principais 7 ligas europeias e a Liga dos Campeões, Trubin foi o melhor guarda-redes sub-23 nos seguintes dados estatístic...