terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Futebol na América

Crónica publicada no Dinheiro Vivo. Também publicada, em papel, no suplemento que acompanha as edições do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

Manuel Arons de Carvalho

Todos temos referências que nos influenciam de alguma forma. O Sport Lisboa e Benfica, pela paixão que desperta em milhões de adeptos, é uma força aglutinadora notável, possibilitando-nos o conhecimento de inúmeras pessoas, as quais, pelo exemplo, moldam a nossa extraordinária experiência que é vivermos e sentirmos o clube. Para mim, o Manuel Arons de Carvalho foi um desses benfiquistas.

Desde muito novo que leio as publicações relacionadas com o Benfica e logo me apercebi da existência do Arons. Foi, a determinada altura, o benfiquista de serviço nas grandes entrevistas do jornal O Benfica, além de estar indelevelmente associado à revista Benfica Ilustrado. Acrescia o facto do meu pai conhecê-lo desde os tempos de Liceu, o que me conferiu uma certa familiaridade, embora distante, com ele no início da minha adolescência. Terão sido raras as vezes em que interagimos nesses tempos, mas sabia bem quem era e tinha o selo de qualidade de ser alguém apreciado pelo meu pai.

Muitos anos mais tarde, em particular desde que fui autor de livros sobre o Benfica e iniciei a minha colaboração com o jornal enquanto cronista (esta é a minha 388ª crónica), passei a ter algum contacto regular com o Manuel Arons de Carvalho. Auxiliou-me várias vezes ao partilhar a sua cultura e dele recebi vários emails elogiosos em relação às minhas crónicas, artigos e livros, sendo que a todos reagi agradecido, com muita satisfação e redobrado orgulho.

É que o Manuel Arons de Carvalho, além de ser um fervoroso benfiquista, foi também, no meu caso e de tantos outros que se empenham em conhecer a história do Glorioso, uma inspiração e um exemplo.

A defesa acérrima do Benfica foi uma das suas características mais conhecidas; a faceta de historiador rigoroso do atletismo reservada aos mais atentos. E foi um dos que me alertou para algumas trapalhadas de federações e comunicação social relacionadas com a história do desporto português, nomeadamente relativas ao Benfica, respeitando sempre a minha opinião, mesmo quando, em raras ocasiões, divergiu da sua, nesses casos insistindo pacientemente nos seus pontos de vista ou aceitando os meus argumentos quando bem sustentados.

O Manuel Arons de Carvalho foi um indefectível benfiquista com superior cultura desportiva, um dos que estimulou o meu gosto pela história do Benfica e com quem muito aprendi e tive a honra e o privilégio de trocar opiniões. Não o esquecerei!

Jornal O Benfica - 23/12/2022

Números da semana (105)

1

Enzo Fernández foi considerado o melhor jogador jovem do Campeonato do Mundo;

2

O Benfica tem 2 campeões do mundo no plantel, Enzo e Otamendi. Nunca houvera um campeão do mundo a jogar em Portugal;

7

Jogadores do Benfica campeões do mundo de futebol (como jogadores). Os primeiros foram Aldaír (1994) e Edilson (2002), depois de terem jogado de águia ao peito. Capdevila (2010) e Draxler (2014) alinharam pelo Benfica já com um Campeonato do Mundo no currículo. Agora, temos Enzo e Otamendi no plantel e há ainda Di María (além de Aimar, como treinador-adjunto);

18

Com o golo marcado ao Moreirense, Gonçalo Ramos voltou à liderança do ranking de golos e assistências (15+3), a par de João Mário (10+8). Seguem-se Rafa (11+6) e Neres (8+9), com 17;

28

Apesar de empate que soube a derrota, por força da eliminação da Taça da Liga, a partida em Moreira de Cónegos reforçou a série invencível de “jogos oficiais” desde o início da temporada, igualando os dois melhores registos anteriores (1971/72 e 1977/78 – todas as provas). Excluindo as competições regionais, trata-se da segunda melhor série de sempre, ainda a 3 jogos do conseguido em 1959/60;

100%

Otamendi fez o pleno dos minutos de utilização pela Argentina no Mundial. 7 jogos, 2 dos quais com prolongamento. Só Martínez e Messi jogaram tanto tempo como o capitão do Benfica;

196

Odysseas chegou aos 196 “jogos oficiais” pelo Benfica, tantos quanto Bastos (e Samaris). O trio ocupa a 65ª posição no ranking dos jogos. O grego é agora, a par de Bastos, o 7º guarda-redes com mais “jogos oficiais” de águia ao peito pela equipa de honra, a 1 de igualar Preud’homme (por ordem decrescente de jogos: Bento, Costa Pereira, José Henrique, Silvino, António Martins, Preud’homme).

Jornal O Benfica - 23/12/2022

domingo, 18 de dezembro de 2022

Do despropósito...

Esta semana o jornal A Bola entendeu, pela enésima vez, assinalar o famigerado jogo dos 7-1 em Alvalade entre Sporting e Benfica. E logo com uma extensa entrevista, a qual mereceu honras de primeira página, a Manuel Fernandes, autor de um poker nessa partida.

Não está em causa o mérito da façanha do antigo avançado do Sporting, muito menos a relevância da sua carreira, mas é totalmente descabido que essa goleada imposta ao Benfica seja recuperada por tudo e por nada. “Há 36 anos o Sporting-Benfica teve desfecho histórico” é a frase de entrada da peça. Aguardarei serenamente pela entrevista anual a Manuel Fernandes sobre os 7-1, cuja publicação já estará, certamente, agendada para 14 de dezembro de 2023.

Também não está em causa a qualidade da entrevista. Que fique devidamente registado, aprecio o autor, António Simões, há muitos anos que aprendo com ele, admiro-lhe a escrita e noto, em cada frase da sua lavra, enorme paixão por futebol. Fosse o conteúdo o mesmo, mas outra a motivação, e eu pouco teria a apontar. Embora sinta que ficaram algumas perguntas por fazer, pelo que deixo umas sugestões para a esperada entrevista do próximo ano.

Como se sentiu quando, na penúltima jornada do Campeonato na época dos 7-1, fugiu do relvado do estádio da Luz após o jogo devido à invasão eufórica de milhares de benfiquistas após a conquista do título?

Que sensações teve, nessa mesma temporada, quando, como capitão do Sporting, esteve ao lado de Shéu na tribuna do estádio do Jamor enquanto o benfiquista erguia o troféu da Taça de Portugal e festejava com os adeptos?

Em que medida os festejos após essa goleada ao Benfica contribuíram para que o Sporting não tenha vencido qualquer dos seis jogos seguintes no Campeonato?

Como é possível que esse jogo seja ainda hoje assinalado – e não se preocupe que cá estaremos para o ano para o evocar– e o consulado do treinador Manuel José não tenha sobrevivido mais do que mês e meio ao feito?

Acha que os 7-1 conseguidos em 1986 são tão celebrizados, também, porque o último título sportinguista havia sido em 1982 e só em 2000, 2002 e 2020 o Sporting voltou a ser campeão?

Sendo o Sporting um clube que se auto-intitula, convenhamos que delirantemente, maior potência desportiva nacional, não considera que se menoriza de forma gritante sempre que assinala esta efeméride?

Como perspetiva que haja quem não compreenda que Manuel Fernandes se continue a prestar a este papel patético de contribuir para que o seu clube e a sua própria carreira sejam praticamente reduzidos a um jogo?

E, por fim, tendo em conta acontecimentos recentes, quem fez mais pelo Sporting, Manuel Fernandes ou o Millennium BCP?

Jornal O Benfica - 16/12/2022

Números da semana (104)

1

No jogo amigável com o Sevilha (um clube contra o qual o Benfica se estreou em 1917, foi o primeiro adversário em competições europeias e disputou a final da Liga Europa em 2014), João Neves e Samuel Soares estrearam-se na equipa de honra do Benfica (e Lucas Veríssimo envergou a braçadeira de capitão pela primeira vez);

2

Nas meias-finais do campeonato do Mundo houve 2 jogadores do Benfica, Enzo e Otamendi;

3

Ao 10º jogo na fase de grupos da Liga dos Campeões da vertente feminina do futebol, o Benfica obteve a 3ª vitória neste patamar da prova e 3 golos ao longo dos 90 minutos, algo que nunca conseguira;

12

André Almeida foi utilizado por Roger Schmidt frente ao Sevilha e tornou-se no 34º futebolista a atuar em pelo menos um jogo da equipa de honra do Benfica em 12 temporadas diferentes. O recordista é Bento, utilizado em 20 épocas, seguido por Nené, em 18. André Almeida é o 34º com mais jogos, incluindo particulares (352). No atual plantel, Grimaldo é o mais direto perseguidor (50º - 303);

16

A equipa feminina de andebol garantiu a presença entre os 16 finalistas da EHF European Cup, num regresso às competições europeias 29 anos depois;

44

O Benfica teve 44 presenças no pódio dos Campeonatos Nacionais de Natação (seniores e juniores: 17 nos seniores masculinos (7 ouro, 6 prata e 4 bronze); 5 nos seniores femininos (todas bronze), 14 nos juniores masculinos (5; 5; 4); 8 nos juniores femininos (4; 3; 1). O Benfica foi o clube mais medalhado nos seniores masculinos, nos juniores masculinos e nos juniores (masculinos e femininos). Diogo Ribeiro (100 metros livres), Miguel Nascimento (50 metros livres) e o Benfica (4x100 livres e 4x50 estilos) bateram recordes nacionais.

Jornal O Benfica - 16/12/2022

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Centenário de José Saramago

 Artigo publicado no jornal O Benfica na edição de 18 de novembro de 2022.

Números da semana (103)

5

São 5 os jogadores do Benfica nos quartos-de-final do Campeonato do Mundo, 2 pela Argentina, 3 por Portugal;

9

À hora de fecho desta edição, das 12 equipas seniores do Benfica, masculinas e femininas, de futebol e modalidades de pavilhão, 9 lideram os seus campeonatos. Futebol, basquetebol, futsal e hóquei em patins em ambos os géneros, mais o andebol (feminino). Destas 9 só a masculina de hóquei em patins não se encontra isolada na liderança. Acrescente-se as equipas femininas de polo aquático e rugby. Como disse Rui Costa esta semana, a época está a correr bem, mas é no final que nos interessa estarmos em primeiro;

20

A equipa feminina de basquetebol soma 20 vitórias em 20 jogos desde o início da temporada, incluindo 4 na competição europeia que disputa (até ao fecho desta edição). Pleno de triunfos também no andebol feminino (12, incluindo 3 jogos europeus) e no futsal feminino (12, incluindo a Supertaça decidida nos penáltis);

32

Desde Skurahvy, da Checoslováquia no Campeonato do Mundo realizado em Itália, em 1990, que um jogador não marcava 3 golos numa partida das rondas a eliminar do Mundial. Gonçalo Ramos fê-lo contra a Suíça, num jogo em que também se tornou no português mais novo de sempre a marcar nos oitavos-de-final (ou eliminatórias seguintes) da prova, num golo que, segundo dados oficiais, a bola atingiu, depois de rematada, uns impressionantes 106 kms/h, a fazer lembrar Eusébio, o anterior detentor do recorde (Coreia do Norte, 1966, quartos-de-final);

43

Casas do Benfica participantes no Torneio Mundial de Sueca, representadas por cerca de 900 benfiquistas;

70

João Alves, um dos grandes jogadores que serviram o Benfica, completou 70 anos de vida. Parabéns!

Jornal O Benfica - 9/12/2022

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Números da semana (102)

3

A equipa feminina de judo do Benfica alcançou o bronze na Liga dos Campeões Europeus;

4

Nova presença benfiquista na final four da UEFA Futsal Champions League. Anderlecht, Palma e Sporting são os adversários;

11

O Benfica prossegue invicto no campeonato de basquetebol ao fim de 11 jornadas, já tendo vencido nas visitas ao FC Porto e ao Sporting;

24

Títulos nacionais de Corta-Mato do Benfica, o último conquistado no passado domingo;

27

“Jogos oficiais” invencível desde o início da temporada. É a 3ª vez, considerando todas as competições oficiais, que o Benfica não perde nos primeiros 27 jogos (anteriormente conseguiu-o em 1971/72 e 1977/78). Sem regionais, o Benfica encontra-se na 2ª melhor série de sempre, estando apenas por alcançar a conseguida em 1959/60 (31);

57

Gilberto e Neres estrearam-se a marcar na Taça da Liga e subiu para 57 o número de goleadores do Benfica na competição (excluindo 2 autogolos). Jonas, com 10, é o recordista;

133

Rafa passou a ser, a par de Nuno Gomes, o 8º futebolista com mais jogos pelo Benfica no atual estádio da Luz. E passou a ser o 10º que mais vezes esteve em campo de águia ao peito na Taça da Liga (15 jogos, ex-aequo com Gaitán e Jonas);

43263

Extraordinária assistência no estádio da Luz para o jogo com o Penafiel da Taça da Liga. Foi a melhor assistência de sempre na fase de grupos desta competição, o segundo jogo com mais público de sempre, só superado pela meia-final com o Sporting, em 2010/11. Nesta temporada, só jogos do Benfica na Luz e dois do FC Porto (Benfica e Atlético Madrid) tiveram mais espectadores, refletindo o entusiasmo dos benfiquistas pelos resultados e exibições dos comandados por Roger Schmidt ao longo da época.

Jornal O Benfica - 2/12/2022

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Abençoada Taça da Liga

O título é exageradíssimo, mas serve. Disputadas umas quantas partidas do Mundial, ainda não houve uma que me despertasse tanto interesse como aquela que opôs o Benfica ao CF Estrela. Draxler e Morato de regresso, João Vítor a entrar de início, jogada maravilhosa de Rafa e Musa para golo deste, vitória que é o que interessa. Acusam-me de fanatismo pelo Benfica e eu contraponho agradecido pelo elogio.

Uma interpretação pouco atenta e abusiva é a de que não me agradam as competições de selecções. Nada mais falso. Sinto, é verdade, um desinteresse completo por jogos amigáveis, mas tal não se aplica às fases finais; pelo contrário, tento ver todos os jogos, acompanho a par e passo a competição por pura e cultivada obsessão futebolística, sem preferência.

A ausência de vínculo emocional a qualquer das equipas é debilitante, mas longe de impeditivo de apreciar o andamento da prova, sempre expectante pela equipa surpresa, pelos jogadores que mais se evidenciam ou por golos antológicos. É irrelevante quem ganha.

Mas tempos houve diferentes. Fui educado a amar o Benfica e, de vez em quando, para “desenjoar”, a vibrar com a selecção portuguesa. No entanto, sentir-me eufórico por um golo de Portugal da autoria de um jogador de um clube anti-Benfica nunca fez sentido para mim.

O meu afastamento da selecção começou precisamente nesse ponto de fricção e nas discussões que se lhe seguiam. Diziam-me “és português, tens de apoiar a selecção, os clubes não importam”, qual carneiro nobre lusitano, como que a apelarem a um patriotismo de pacotilha que para nada serve. Depois veio Scolari e as suas chantagens emocionais, o marketing do “Clube Portugal”, as bandeiras com pagodes em tudo o que era janela e a certeza de que a única utilidade séria da selecção é constituir-se como um veículo de ensino privilegiado da letra do hino nacional.

Ah, e quase deixou de haver jogadores do Benfica na selecção. O que me leva a um ponto curioso.

Foi a seguir ao Campeonato do Mundo de 2006 que deixei definitiva e completamente de ter afinidade com a equipa da federação. Tratou-se de um processo gradual de alguém que nunca se sentiu realmente ligado. Contente por ganhar, indiferente às derrotas, isso não é ser adepto. E as vitórias também se tornaram indiferentes, ao ponto de não ter podido beneficiar da extraordinária conquista, do céu caída, no europeu em 2016, e reconheço-o com alguma pena.

Ora, hoje há, na equipa da federação, três jogadores do Benfica, mais quatro (dos que interessam) formados no glorioso. Quero que tudo lhes corra bem, assim como aos futebolistas de outros países com o mesmo selo de garantia. E dei por mim a apreciar satisfeito algumas jogadas de Portugal no jogo com a Nigéria, um particular, vá lá perceber-se isto.

Eis a minha selecção: Ederson, Bah, Otamendi, Rúben Dias, António Silva, João Cancelo, Enzo Fernández, João Mário, Bernardo Silva, João Félix e Gonçalo Ramos. Suplente (não se enquadra bem, mas talvez por ter saído há pouco tempo e por aparentar não lhe ter sido indiferente jogar de águia ao peito): Darwin.

Jornal O Benfica - 25/11/2022

Números da semana (101)

1

O Benfica é campeão nacional de judo (feminino);

3

No jogo com o CF Estrela houve três estreantes com a braçadeira de capitão: Rafa, Grimaldo e Odysseas. No atual plantel, o jogador que mais vezes capitaneou a equipa de honra do Benfica é Otamendi, seguido de André Almeida;

Foram 3 os estreantes a marcar pelo Benfica na Taça da Liga (Chiquinho, Draxler e Musa). O mais goleador do Benfica na competição é Jonas, com 10 golos;

26

“Jogos oficiais” invencível desde o início da temporada. É a 4ª vez, considerando todas as competições oficiais que o Benfica não perde nos primeiros 26 jogos (anteriormente conseguiu-o em 1964/65, 1971/72 e 1977/78). Sem regionais, o Benfica encontra-se na 2ª melhor série de sempre, estando apenas por alcançar a conseguida em 1959/60 (31);

31

Com a utilização de Gil Dias frente ao CF Estrela, ascende a 31 os jogadores chamados a atuar por Roger Schmidt em competições oficiais. O único totalista é Florentino (26), seguido por Grimaldo e Odysseas, com 25. Na condição de titular, foram 23 (João Victor foi o mais recente pela 1ª vez no 11 inicial). Odysseas é o mais utilizado (2420 minutos – inclui tempos adicionais), Grimaldo o 2º (2365) e Otamendi fecha o pódio (2222);

46,67%

Percentagem conquistas benfiquistas na Taça da Liga, 7 em 15 edições;

47

Desde 2010/11, Rafa é o 4º com mais assistências para golo pelo Benfica em competições oficiais. Descolou de Salvio, neste item, no jogo com o CF Estrela. Pizzi, Gaitán e Grimaldo lideram;

70

É preciso recuar a 1989/90 (74) para se encontrar uma temporada em que o Benfica tenha marcado mais, nos primeiros 26 “jogos oficiais” (considerando todas as competições), do que os 70 golos obtidos em 2022/23.

Jornal O Benfica - 25/11/2022

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Direitos humanos ou lá o que é

Crónica publicada no Dinheiro Vivo. Também publicada, em papel, no suplemento que acompanha as edições do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

Fábrica de sonhos: Benfica

Não perca tempo a ler esta crónica. Comece já a ver o fantástico documentário “Fábrica de sonhos: Benfica” na PrimeVideo da Amazon. Creia no que lhe digo, é extraordinário, é imperdível, é Benfica!

Considero-me, porque já vi muitos, um consumidor exigente de documentários sobre futebol e basquetebol. Sei o que afirmo: o “Fábrica de sonhos: Benfica” não deve rigorosamente nada aos melhores, aliás, está claramente entre aqueles que mais prazer me deu assistir. Claro que o facto de estar relacionado com o Benfica ajuda e muito nesta percepção, mas é para benfiquistas que escrevo, confiem em mim.

Penso que todos temos noção de que o Benfica trabalha muito bem na formação de futebolistas, mas com este documentário percebemos melhor como o faz. Do scouting em tenríssima idade ao acompanhamento psicológico em fases tardias do processo formativo, está lá tudo, não só através dos testemunhos, mas também pela realidade como ela é, revelada em imagens nunca antes vistas. Acresce a excelência ao nível da realização, das filmagens e da narrativa, é realmente soberbo. E os muitos testemunhos acrescentam imenso valor, em nada prejudicados, porque a rejeita, pela costumeira salada de lugares-comuns que habitualmente ouvimos no mundo do desporto.

Agora pensa o leitor: com as expectativas tão altas, por certo desiludir-me-ei. Desengane-se! Eu próprio fui uma potencial vítima de excesso de expectativas criado por outrem e não me senti defraudado minimamente. Pelo contrário, gostei mais do que esperava. O primeiro episódio é bom, os três seguintes são fabulosos.

O “Fábrica de sonhos: Benfica” deve ser celebrado. Não só por ser muitíssimo interessante, revelador e muito bem feito, mas sobretudo por colocar o Benfica na linha da frente, também, no domínio da comunicação.

Há décadas que o futebol português é tratado, neste âmbito, como se fosse um saco de pancada; este documentário é a antítese desse lodaçal, surgindo na sequência de variadíssimos conteúdos disponibilizados na BTV e BPlay (e restantes meios) em tempos recentes e só possíveis por uma abertura de espírito até há poucos anos inimaginável. E com isso ganhamos nós, os adeptos, que somos apaixonados pelo Benfica e por desporto.

Entender a comunicação como uma ferramenta para estimular o gosto pelo clube e pelo desporto é, em Portugal, uma vitória. Ser capaz de implementá-la subordinada a essa ideia, um título. Quero mais, este é o caminho!

Jornal O Benfica - 18/11/2022

Números da semana (100)

3

Álvarez, Nicolía e Ordoñez são os 3 hoquista do Benfica campeões do mundo de hóquei em patins. Foram mais 2 na final: Diogo Rafael e Pedro Henriques;

6

São 6 os jogadores do Benfica presentes no mundial de futebol: António Silva; Bah; Enzo; Gonçalo Ramos; João Mário; Otamendi;

13

É a 16ª vez que o Benfica está invicto nos primeiros 13 jogos do campeonato, mas somente a 5ª que o consegue com, no máximo, um empate;

25

“Jogos oficiais” invencível desde o início da temporada. É a 4ª vez, considerando todas as competições oficiais (regionais, nacionais e internacionais – é também a 4ª vez excluindo as regionais) que o Benfica não perde nos primeiros 25 jogos (anteriormente conseguiu-o em 1964/65, 1971/72 e 1977/78). Sem regionais, 1959/60 substitui 1964/65 na lista);

33

Gonçalo Ramos chegou aos 33 golos pela equipa de honra do Benfica (incluindo particulares) e figura agora no top100 dos goleadores benfiquistas. Em competições oficiais soma 28;

37

Ao fim de 13 jogos o Benfica leva 37 golos marcados na presente edição do Campeonato Nacional. Para encontrar um registo mais volumoso há que recuar a 1989/90. E desde 1976/77, inclusive, só em 2 épocas o Benfica foi mais concretizador (38 em 1983/84; 40 em 1989/90);

134

Grimaldo passou a ser, a par de Salvio, o jogador com mais jogos neste estádio da Luz (inclui particulares);

250

Rafa representou o Benfica pela 250ª vez em competições oficiais. 47º com mais “jogos oficiais” pela equipa A do Benfica, é o 3º entre os atuais membros do plantel (André Almeida e Grimaldo lideram este ranking);

300

Grimaldo atingiu os 300 jogos pela equipa de honra do Benfica (incluindo particulares). É o 50º a fazê-lo.

Jornal O Benfica - 18/11/2022

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

É para ganhar!

A contribuir para o meu fascínio pela leitura está a descoberta de palavras até então ignoradas, considerando algumas delas espantosas, indecifráveis até, desaconselhando a interpretação pelo sentido. A consulta de um dicionário resolve esse constrangimento, com a vantagem de as incrustar no meu léxico. Não poucas vezes tento, depois, usá-las quase como se de um exercício de sistematização do conhecimento recém-adquirido se trate, além de beneficiar de indisfarçável regozijo.

Numa semana em que volto a escrever este artigo de opinião antes que seja realizado um jogo cuja crónica já estará publicada nas primeiras páginas, arrisco de novo o tom ditirâmbico (cá está uma palavra descoberta há uns dias).

O que o Benfica tem feito ao longo da presente temporada e, em particular, nas últimas quatro partidas, impede o mínimo refreio de entusiasmo e convoca fantasias, por ora, bem sei, delirantes.

O sorteio da Liga dos Campeões que ditou o Brugges por adversário foi rapidamente extrapolado para uma eventual viagem a Istambul em junho. A goleada infligida ao Estoril e os oito pontos de avanço para o segundo classificado logo se traduziram numa antecipação de um título sem derrotas. Mereço condescendência: sou adepto confessada e orgulhosamente fanático, a tolerância que me é devida quanto ao optimismo desenfreado deve ser ilimitada.

E depois vejo-me temporariamente assoberbado pela razão e pergunto-me se não deveria proteger-me pública e intimamente. Na (por agora) improvável circunstância de as coisas correrem mal, evitaria que rivais se rissem à minha custa, enquanto melhor preparado estaria para lidar com a desilusão. E é preciso que se note que importa distinguir entre fantasias e reais expectativas, pois sei que chegar o mais longe possível na Champions e vencer o campeonato é o que, para já, se nos permite desejar.

Mas a palavra-chave é “temporariamente”. Que a razão esteja com dirigentes, estrutura, treinadores e jogadores, afinal é a eles que compete fazer por nos dar alegrias. A nós, adeptos, cabe-nos apoiar, ajudar na medida do possível e viver o clube da forma que mais nos aprouve. Eu escolho entusiasmar-me sem reservas, ciente de que amanhã poderá ser diferente.

Vale o seguinte: às 16:58 do dia 9 de novembro de 2022, sinto-me eufórico; depois do jogo com o Estoril, e depois, e depois, e depois (…), logo se verá.

Jornal O Benfica - 11/11/2022

Números da semana (99)

5

Segue-se o Brugge na Liga dos Campeões. Não há histórico entre os dois clubes em competições oficiais, mas já houve 5 jogos particulares, um pleno de vitórias benfiquistas;

8

Chegou ao fim a melhor série de sempre do Benfica no que respeita a jogos fora sem golos sofridos no Campeonato Nacional (8). Considerando partidas de uma única temporada, foram 5 os jogos seguidos com folha limpa, a 1 do recorde estabelecido em 1975/76 e repetido em 1977/78;

12

É a 17ª vez que o Benfica está invicto nos primeiros 12 jogos do campeonato, mas somente a 5ª vez que o consegue com, no máximo, um empate;

17

João Mário lidera no somatório de golos e assistências, com 9 e 8, respetivamente. Seguem-se, com 15, Gonçalo Ramos (12+3), Rafa (11+4) e Neres (7+8);

20

João “Betinho” Gomes está no top20 dos melhores marcadores de sempre da equipa de honra de basquetebol do Benfica;

24

“Jogos oficiais” invencível desde o início da temporada. É a 4ª vez, considerando todas as competições oficiais (regionais, nacionais e internacionais – é a 5ª vez excluindo as regionais) que o Benfica não perde nos primeiros 24 jogos (anteriormente conseguiu-o em 1964/65, 1971/72 e 1977/78 – e em 1959/60 sem a Taça de Honra);

Florentino é o único totalista, com 24 “jogos oficiais”, mais um do que o quarteto constituído por Enzo, Grimaldo, João Mário e Odysseas. Em tempo de utilização, o líder é o guarda-redes grego, em campo 2229 dos 2356 minutos jogados esta época (inclui tempos adicionais);

34

Desde 1990, só por uma vez (2009/10 – 35), o Benfica marcou mais golos nos primeiros 12 jogos do que os conseguidos na presente época.

100

Gilberto cumpriu o 100º jogo pelo Benfica, incluindo particulares.

Jornal O Benfica - 11/11/2022

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Pensamento nas vitórias

Escrevo a horas do jogo em Haifa, inabalavelmente convicto de que venceremos, não obstante estar bem ciente de que esta partida se reveste de dificuldade significativa e os chamados imponderáveis estão sempre à espreita. Não se trata de triunfalismo ou optimismo desmesurado, tão somente de uma constatação irrefutável: a nossa equipa joga bem e fá-lo de forma consistente. Acaso não ganhemos, logo se verá e o apuramento está garantido, mas escrevo o que penso e, agora e até prova em contrário, é só na vitória que penso.

O desempenho da equipa, desde o início da temporada, é o mote para este estado de espírito. Nesta página, assumi as minhas legítimas expectativas de um bom resultado na deslocação a Paris. A anteceder o jogo com o Porto, declarei que ganharíamos. Porém, não menosprezemos a inevitável dose de crença; afinal, por vezes, até o ateu mais empedernido se deixa enredar em algo do domínio da fé.

É claro que, após uma semana em que “banquete de futebol” foi a expressão mais usada para caracterizar as exibições do Benfica ante Juventus e Chaves – adequada embora redutora, faltando-lhe acrescentar “pantagruélico” – nada mais é natural do que um reforçado optimismo.

Até porque as ditas exibições surgiram na sequência de uma importante vitória frente ao Porto, logo seguidas de tentativas de minimização da “qualidade” do triunfo tão confrangedoras quanto esperadas. O título do livro, acaso existisse, seria “Propaganda para totós à moda do Porto”.

Toda aquela conversa bafienta sobre o suposto mérito do vencido por oposição ao, deixem-me rir, demérito do vencedor, por acaso logo abafada pelo embate violentíssimo com a realidade na jornada seguinte, lembrou-me uma ideia de John Milton, acérrimo defensor da liberdade de expressão no século XVII, que me arrisco a adaptar.

Os dislates do Conceição após o jogo e a reprodução acrítica dos mesmos por certa comunicação social são como se fechassem os portões do parque natural da excelência futebolística para que as águias não o sobrevoassem. Em suma, inútil. Porque não nos afecta e, sobretudo, nem eles terão acreditado no que disseram. E a caravana passa…

Ganhar ao Estoril!

Jornal O Benfica - 4/11/2022

Números da semana (98)

1

Com a ausência de Enzo em Haifa, ficou reduzido a 1 o número de jogadores utilizados por Roger Schmidt em todos os jogos oficiais, Florentino. Com 21 participações há Enzo, Grimaldo, João Mário e Odysseas;

1’51’’

Pertence agora a Neres o golo do Benfica mais madrugador da temporada. Dos 52 golos apontados, apenas cinco ocorreram nos primeiros 15 minutos de jogo (dois dos quais frente ao Chaves);

11

É a 5ª vez que o Benfica está invicto nos primeiros 11 jogos do Campeonato com, no máximo, um empate. Em 1972/73 e 1982/83 venceu todos os jogos. Na presente época, em 1960/61 e 1983/84 venceu 10 vezes e cedeu 1 empate. 29 golos marcados é um registo superado apenas uma vez desde 1990/91, inclusive. Melhor desempenho defensivo do que os 5 golos sofridos em 2022/23 só aconteceu uma vez desde 1991/92, inclusive. E os 8 jogos sem qualquer golo permitido a adversários só foi suplantado duas vezes em toda a história (1980/81 e 1990/91);

14

Está estabelecido o novo recorde benfiquista de pontos na fase de grupos da Liga dos Campeões e o 1º lugar foi alcançado na última jornada, na qual marcou 6 golos, também recorde nesta fase da competição;

16

João Mário lidera o ranking “golos + assistências”, com 16 (8+8). Seguem-se Gonçalo Ramos (12+3), Rafa (11+4) e Neres (6+7);

22

“Jogos oficiais” invencível desde o início da temporada. É a 5ª vez, considerando todas as competições oficiais (regionais, nacionais e internacionais) que o Benfica não perde nos primeiros 22 jogos (anteriormente conseguiu-o em 1964/65, 1971/72, 1977/78 e 2011/12);

100

Com o Chaves, Otamendi atingiu a marca redonda dos 100 jogos em competições oficiais pelo Benfica.

Jornal O Benfica - 4/11/2022

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

O visitante ganhou

De todas as recorrentes baixezas deste FC Porto das últimas quatro décadas, a mais patética, porque junta a inocuidade à ridicularia extrema e faz lembrar a saga Harry Potter (“aquele que não se pode pronunciar o nome…”), é de quando em vez o Benfica ser referido simplesmente por visitante. Nem sequer a extraordinária coincidência, há anos e anos, da terminação da quantidade de espectadores nos jogos disputados no estádio do Dragão ser sempre o número na camisola do marcador do primeiro golo portista (desde que já tenha acontecido no momento do anúncio do número de espectadores) se lhe aproxima.

Não deixa de ser curioso, no entanto, que se no relato do Porto Canal o Porto tenha defrontado o visitante, há muitos portistas que, na sequência de um golo da sua equipa, até em jogos em que o Benfica nem sequer participa, cantam SLB várias vezes a anteceder um insulto, o qual, diga-se de passagem, é ouvido com frequência inusitada em festejos portistas até da boca de atletas. Ora decidam-se: a idiotice não obriga à incoerência. E um clube fundado no longínquo ano de 1906 deveria ter mais amor próprio.

O último Porto – Benfica (ou o último visitado – visitante para não ferir susceptibilidades) teve muitos dos condimentos habituais. Tarjas insultuosas para cá, intimidações gratuitas para lá, discursos motivacionais com recurso a jargões belicistas, tentativas de condicionamento da arbitragem, desvalorização do Benfica (ups, do visitante), impunidade de jogadores portistas, revisionismo da história do jogo, etc, só faltando a eficácia plena junto da arbitragem.

A este propósito quero manifestar publicamente a minha solidariedade para com o voluntarista Eustáquio, expulso por volta dos 27 minutos. O rapaz é ainda relativamente jovem, talvez susceptível em demasia, e toda aquela conversa bacoca da guerra e afins retirou-lhe discernimento. Para mais, em rigor, onde já se viu um jogador do Porto frente ao “visitante” ser expulso quando merece? Diz-se que um dos aspectos mais importantes da arbitragem é a uniformidade dos critérios e João Pinheiro, desse ponto de vista, cometeu uma falha grave ao admoestar, bem, Eustáquio com o segundo amarelo. Se calhar o jogador do Porto nem sequer sabia que tal era possível (reconheço que pelo menos eu acreditava que não).

De resto, nem sequer comento o perdão da expulsão de Otávio por agressão a Gonçalo Ramos ou o pronto levantamento da bandeira na jogada do golo de Rafa por um pretenso fora de jogo que, depois de medido (apesar do VAR ser o mesmo que não viu o calduço cobarde do cuspidor fiteiro), se verificou não existir por mais de meio metro, pois são lances (juízos) esperados num Porto – Benfica. Muito menos classifico a tentativa de rasteira, após o final do jogo, ao nosso preparador-físico perpetrada pelo presumível recordista mundial de expulsões (e assim se evitam idas à flash interview), os dislates propangandísticos pós-jogo e mais umas quantas coisas de uns mauzões da guerra disto e daquilo, porém incapazes de dizer, com todas as letras, Benfica.

Termino com uma evocação de justiça poética. O jogador que no dia em que for corrido do Porto será acusado de benfiquista, formado exclusivamente no Benfica e apanhado num vídeo a insultar o Benfica e os benfiquistas, no caso creio que por manifesta falta de personalidade pois pareceu-me incapaz de se recusar perante a insistência do cuspidor fiteiro e outros colegas malformados, foi quem errou a fazer a linha, colocando Neres em jogo para assistir Rafa para golo. Perfeito!

Jornal O Benfica - 28/10/2022

Números da semana (97)

4

O Benfica marcou, pela primeira vez, 4 golos a um clube italiano nas competições europeias;

6

É a 21ª vez que o Benfica completa dez jogos do Campeonato invencível, mas apenas a 6ª em que o consegue com, no máximo, 1 empate (1959/60; 1960/61; 1972/73; 1982/83, 1983/84; 2022/23). Foram 10 as épocas em que obteve um mínimo de 9 triunfos;

7

Jogos sem golos sofridos pelo Benfica no Campeonato Nacional, sendo somente a 9ª edição da prova, em 89, em que os encarnados conseguiram, no mínimo, 7 jogos com folha limpa a nível defensivo nas primeiras 10 partidas;

11,5

Cerca de 11 meses e meio depois, Lucas Veríssimo voltou à competição após grave lesão;

17

É a 6ª vez que o Benfica alcança pelo menos 17 vitórias nos primeira 20 “jogos oficiais” da temporada (considerando vitória ou derrota após desempates por “penáltis”). O recorde (18) aconteceu em 1982/83;

35

Rafa passou a ser, com 67 golos, o 35º melhor marcador de sempre do Benfica em competições oficiais. No Campeonato soma 47 golos de águia ao peito, tantos quanto o dinamarquês Manniche. E, com o bis à Juventus, chegou aos 12 golos pelo Benfica, passando a integrar o quarteto dos 10º mais goleadores, juntamente com Simão, João Pinto e Salvio. Na Liga dos Campeões / Taça dos Clubes Campeões Europeus (considerando todas as eliminatórias), soma 9 golos e é o 9º mais concretizador de sempre;

268

Grimaldo atingiu a marca dos 268 “jogos oficiais” pelo Benfica, superando Salvio nesse registo, passando a ser o 5º estrangeiro que mais vezes alinhou de águia ao peito pela equipa de honra em competições oficiais (Luisão, Maxi Pereira, Cardozo e Jardel ocupam as posições cimeiras).

Jornal O Benfica- 28/10/2022

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Caldas

O mundo benfiquista ia desabando (momentaneamente) com o que seria uma inaceitável eliminação prematura da Taça de Portugal frente a um clube do terceiro escalão nacional. Seja em que circunstâncias for, tal nunca poderá voltar a acontecer. Já chegou o Gondomar em tempos péssimos para o nosso Benfica, nem sequer comparáveis, para muito pior, aos que vivemos.

Entendo e aceito os elogios à equipa do Caldas, embora sejam repletos de indisfarçável paternalismo. Não há milagres: aquele jogo só foi possível porque, na cabeça de todos, excepto entre o nosso adversário, estava ganho de goleada pelo Benfica antes mesmo de ter começado, não obstante ser sobejamente conhecido que várias das vitórias benfiquistas frente a clubes do terceiro escalão nesta eliminatória em muitas das últimas 10/15 temporadas foram surpreendentemente apertadas.

Não embarco, no entanto, em se apontar o dedo à nossa equipa nem retiro da exibição qualquer ilação sobre o remanescente da temporada. Quem quer que acompanhe o desporto sabe quão comuns são desempenhos destes em jogos com estas características. E nem sequer é preciso estar muito atento, bastando constatar o desfecho desta eliminatória: oito clubes da primeira divisão, incluindo o Sporting, já estão fora da Taça, todos derrotados por clubes bem menores no presente, futebolisticamente falando.

Ainda sobre este jogo e no que respeita ao Benfica, além da passagem difícil e do excelente golo de Musa e do acerto nas grandes penalidades, de nada mais se falou além do lance infeliz de António Silva. A este propósito, há que protestar veementemente em relação à forma indigna como alguns meios de comunicação social trataram o episódio, quase rejubilando com o desacerto ocasional da mais recente extraordinária pérola do Seixal.

Na língua portuguesa há muito que foi cunhada uma expressão que caracteriza na perfeição o que motiva tais atitudes, é a “dor de cotovelo”. Lembro-me bem do que alguns disseram sobre Rúben Dias após uma infelicidade num jogo com o B SAD na Luz e veja-se o que fazem hoje esses críticos mal-intencionados: falam de António Silva enquanto podem, mas calam-se sobre Rúben Dias. Enfim, o esperado.

P.S.: Vamos ganhar no Dragão!

Jornal O Benfica - 21/10/2022

Números da semana (96)

5

Foi a 5ª vez que o Benfica disputou um desempate por pontapés da marca de grande penalidade na Taça de Portugal. Antes do Caldas (5-3), os adversários foram Sporting (7-6), Nacional (5-3), Penafiel (5-3) e Leixões (4-5);

8

Na 3ª eliminatória da Taça de Portugal, a primeira em que participam os clubes primodivisionários, foram afastados 8 clubes da divisão cimeira, apesar destes não se defrontarem ainda entre si (Boavista; Chaves; Marítimo; Paços de Ferreira; Portimonense; Rio Ave; Santa Clara; Sporting). Nos 32 em prova há 10 da Liga 1, 8 da Liga 2, 6 da Liga 3 e 8 do Campeonato de Portugal. Segue-se a deslocação ao Estoril;

29

Com a estreia em competições oficiais de Helton Leite e João Victor, sobe para 29 o total de futebolistas utilizados por Roger Schmidt na presente temporada. Apenas Enzo e Florentino participaram em todos os 18 “jogos oficiais”; seguem-se Grimaldo, João Mário e Odysseas, em 17. Odysseas é o recordista em tempo de utilização (1651 minutos – inclui tempos adicionais), seguido por Enzo (1614), Grimaldo (1609), Otamendi (1550) e João Mário (1539), o quinteto com mais de 1500 minutos em competições oficiais em 2022/23. Diogo Gonçalves é aquele que Schmidt fez entrar em campo mais vezes a partir do banco de suplentes (11) e Musa o que mais minutos jogou na condição de suplente utilizado (363). Gonçalo Ramos é o melhor marcador (10) e João Mário quem fez mais assistências para golo (7);

50

Florentino chegou aos 50 jogos em competições oficiais pela equipa de honra do Benfica;

403

O número de praticantes de ginástica e artes marciais no Sport Lisboa e Benfica já supera, em 2022/23, as 4 centenas, cerca de 30% acima da época passada (pós pandemia) nesta fase.

Jornal O Benfica - 21/10/2022

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Braga catari

Crónica publicada no Dinheiro Vivo. Também publicada, em papel, no suplemento que acompanha as edições do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

Primeiro ano bem-sucedido

Fez esta semana um ano que a Direcção presidida por Rui Costa foi eleita. As eleições marcaram uma ruptura com o passado recente sem que a estabilidade institucional fosse colocada em causa. Um novo estilo de liderança e o ênfase reforçado em duas dimensões essenciais do clube, o desportivo e o associativo, acompanhados por várias boas decisões em temas fundamentais, renovaram o contexto interno do clube e reforçaram o enorme voto de confiança prestado pelos sócios no acto eleitoral.

Ainda antes das eleições houve desafios que requereram especial atenção e acção. A saída inesperada de Luís Filipe Vieira representou um risco acrescido em áreas sensíveis, o qual exigiu liderança, coesão directiva e competência da estrutura profissional. Havia que garantir que a gestão corrente não seria afectada pelas mudanças institucionais, ultimar os plantéis das várias equipas, nomeadamente do futebol profissional, assegurar o sucesso da emissão em curso de um empréstimo obrigacionista e preparar, para tão rápido quanto possível, o acto eleitoral, instituindo-se novas práticas que garantissem mais e melhor participação associativa. Todos estes objectivos foram alcançados, não surpreendendo, portanto, a notável adesão às eleições e a larga maioria dos votos na lista encabeçada por Rui Costa.

Ao longo da temporada passada foram-se notando modificações relevantes. O enfoque no aumento de competitividade dos vários plantéis foi o mais visível, com repercussões positivas. E, na presente temporada, já se percebe que, apesar da fase ainda prematura em que estamos, foi dado mais um salto qualitativo do ponto de vista desportivo. Independentemente dos resultados que venhamos a alcançar, parece-me indiscutível que o Benfica apresenta melhores equipas do que na temporada anterior em todas as modalidades, quer na vertente masculina, quer na feminina. Os sinais são muito positivos e a conquista de diversos troféus nos primeiros meses da época é uma consequência de uma política desportiva mais ambiciosa e abrangente, mais pujante ao nível do investimento, retomando-se o ímpeto refreado em anos recentes e fazendo jus à fortíssima tradição ecléctica do clube, subordinado à ideia matriz de que o Benfica compete sempre para ganhar.

Muito haveria a destacar noutros domínios, mas realço a abertura a nível comunicacional, em particular a forma como foram apresentadas as contas da SAD e as explicações oferecidas acerca da actuação na última janela do mercado de transferências. Qualquer decisão pode ser boa ou má, só havendo vantagens em que melhor se compreenda o que levou às mesmas.

P.S.:

Escrevo antes do jogo em Paris com o PSG. Se correu bem ou mal, mais logo saberei, mas o que me importa neste momento é que considero legítima a expectativa de um bom resultado em casa de um adversário fortíssimo. E isso, por si só, já é positivo.

Jornal O Benfica - 14/10/2022

Números da semana (95)

2

O grupo de totalistas em todos os “jogos oficiais” está reduzido a 2 jogadores: Odysseas (sempre titular) e Florentino. Com 16 jogos, um sexteto: Enzo, Gonçalo Ramos, Grimaldo, João Mário, Otamendi e Rafa;

3

Bárbara Timo conquistou a medalha de bronze no Campeonato do Mundo de judo (-63kgs);

8

8 pontos em 4 jogos, incluindo os 2 empates frente ao favorito a ganhar o grupo H na Liga dos Campeões. Excelente!

9

O Benfica cumpriu o 9º jogo no Campeonato, obtendo oito vitórias e um empate. É a 25ª vez invicto nos 9 jogos iniciais, entres estas a 8ª com pelo menos 8 vitórias. Tem 23 golos marcados, um registo nos primeiros 9 jogos na prova superado somente, desde 1994, em 2009/10;

10

Gonçalo Ramos bisou frente ao Rio Ave e chegou à dezena de golos marcados em competições oficias em 2022/23, o seu máximo de carreira numa época pela equipa de honra do Benfica. No decurso da presente temporada, Gonçalo Ramos totaliza 13 participações directas nas finalizações de golo (10 golos e 3 assistências), sendo o totalista da equipa. Segue-se João Mário, com 12 (6 golos e 6 assistências), Neres e Rafa fecham o pódio, com 10 (5+5 e 6+4, respectivamente);

17

O Benfica está invicto ao 17º “jogo oficial” da temporada, considerando todas as competições oficiais (internacionais, nacionais e regionais). Foi apenas a 6ª vez que o conseguiu (1964/65; 1971/72; 1977/78; 1982/83; 2011/12; 2022/23);

29

Passados 29 anos, o Benfica voltou a participar numa competição europeia de andebol feminino. E a primeira eliminatória correu de feição, alcançado o apuramento para os 16 avos de final da Taça EHF;

100

Diogo Gonçalves chegou aos 100 jogos (incluindo particulares) pela equipa de honra do Benfica.

Jornal O Benfica - 14/10/2022

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Números da semana (94)

1

Estreia do Benfica na fase regular da Basketball Champions League e logo com uma vitória fora de portas;

2

Fernando Pimenta juntou mais duas medalhas de ouro ao seu vasto pecúlio internacional na canoagem. Desta feita, campeão do mundo de K1 short race e de K2 maratona;

7

Desde 2011/12 que o Benfica não terminava a primeira volta da fase de grupos da Liga dos Campeões com pelo menos 7 pontos. Antes há que recuar a 1994/95;

9

Com o empate cedido em Guimarães, logo começaram as tentativas de desvalorização do percurso benfiquista até este desaire, como se o pleno de triunfos nos 7 primeiros jogos no Campeonato (diferente de 7 jornadas iniciais devido a adiamentos) fosse banal. Só havia acontecido em 5 épocas. 8 vitórias seguidas no Campeonato desde o jogo inaugural ocorreram em apenas duas temporadas. Invicto nos primeiros 8 jogos aconteceu 30 vezes, mas com 7 vitórias e 1 empate reduz-se a 9. Nas 8 anteriores (1959/60; 1960/61; 1972/73; 1982/83; 1983/84; 1990/91; 2009/10; 2016/17) há a particularidade de terem sido todas de título de campeão nacional conquistado para o Benfica;

40

Grimaldo representou o Benfica pela 264ª vez em competições oficiais, tantas quanto José Torres, passando a figurar no Top40 dos futebolistas com mais “jogos oficiais” pela equipa de honra do Benfica;

61

Caldas na Taça de Portugal. Um confronto que aconteceu pela última vez, em competições oficiais, há quase 61 anos (dezembro de 1961). Dos 12 “jogos oficiais” (8 no Campeonato e 4 na Taça de Portugal) o Benfica venceu 9, empatou 2 e perdeu 1.

70

Odysseas chegou aos 184 jogos pelo Benfica em competições oficiais, os mesmos de Quim e Jonas, figurando agora no top70;

100

Otamendi cumpriu 100 jogos pelo Benfica (incluindo particulares).

Jornal O Benfica - 7/10/2022

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Tiro no pé

Foi com estupefacção que tomei conhecimento do anúncio da Sporttv em dispensar os serviços do comentador benfiquista Jaime Cancella de Abreu, meu amigo e excelente editor de alguns dos meus livros. A mera dispensa seria surpreendente, mas os termos em que esta foi justificada são inaceitáveis.

Revi o programa no qual Jaime Cancella de Abreu teceu as declarações que, alegadamente, motivaram a decisão da direcção de programas e informação da Sporttv e sou incapaz de descortinar nessas palavras qualquer especulação ou afirmações infundadas.

Nesse programa vimos um comentador a fazer uso da palavra para emitir opiniões, afinal o que, supostamente, a Sporttv lhe pedira em primeira instância. Jaime Cancella de Abreu foi assertivo e frontal, como é seu timbre, dizendo o que pensa sobre a Federação Portuguesa de Futebol e a actuação de alguns dos seus responsáveis, além de criticar o seleccionador e o capitão de equipa. Mencionou a situação de Pepe e apontou falhas graves na gestão do caso, as quais deram azo, na opinião do comentador, às suspeitas de muitos adeptos acerca da coincidência da realização de um controlo anti-doping. Teve razão em tudo e não foram poucas as pessoas nas redes sociais a levantarem essa questão em relação a Pepe, não interessando para o caso se tem ou não fundamento – o assunto existiu, de facto.

Como bem disse João Gobern na RTP, se esta decisão foi uma iniciativa exclusiva da direcção de programas e informação da Sporttv, é grave. Se essa decisão foi motivada por pressão da FPF, então é muito mais grave.

Em qualquer dos casos fica bem exposto o servilismo da Sporttv em relação à FPF. Por antecipação ou por cedência à pressão, a Sporttv parece estar mais preocupada em agradar à FPF do que em defender a liberdade de expressão dos seus comentadores (e jornalistas?), na independência editorial dos seus conteúdos ou em simplesmente bem servir os telespectadores.

Se a Sporttv quer ser, neste aspecto, uma cópia do Canal 11, então que se opte pelo original. Para “extensão” do departamento de comunicação da FPF já basta um canal televisivo, não são precisos dois.

E agora, segundo o que se vai dizendo, a Sporttv decidiu terminar com os chamados programas de adeptos, o que carece de confirmação (escrevo na quarta-feira ao início da tarde).

Confirmando-se, trata-se de uma notícia que faz sentido, restando saber se não terá mesmo havido recusa de outros comentadores em compactuar com um estatuto editorial que, informalmente, não tolera críticas à Federação ou, ainda pior, não será capaz de resistir à pressão de um poderoso quando visado.

A Sporttv, ao dispensar um comentador crítico da FPF alegando motivos que ninguém é capaz de identificar, sujeitou-se à acusação plausível de cedência à pressão da Federação, pondo em causa a credibilidade de todos os seus comentadores e jornalistas. Que valente tiro no pé!

Jornal O Benfica -30/9/2022

Números da semana (93)

2

Depois da Supertaça, a Taça Vítor Hugo, a 2ª do historial benfiquista no basquetebol (feminino);

7

Supertaças de futsal (feminino), a 6ª consecutiva, conquistadas pelo Benfica nas 7 vezes que disputou o troféu;

10

Subiu para 9 o número de troféus ganhos pelo Benfica em 2022/23 (futebol e modalidades de pavilhão, equipas seniores). Acresce a intercontinental sub20 de futebol;

16

O Benfica está, pelo segundo ano seguido, entre os 16 melhores da Europa na vertente feminina de futebol;

39

O Benfica está na fase de grupos da Basketball Champions League, uma prova criada em 2016 e a 3ª na hierarquia do basquetebol europeu. Longe vão os tempos do Benfica entre os melhores da Europa, num contexto competitivo europeu e regras de utilização de jogadores estrangeiros diferentes e muito mais exigentes a nível financeiro. Hoje, chegar a esta fase desta competição é um feito, tanto que é a primeira vez que um clube português o consegue. No jogo derradeiro da fase de qualificação, Ivan Almeida marcou 39 pontos (9/14 triplos) e fez lembrar as exibições memoráveis de Carlos Lisboa, das quais a mais referida agora foi aquela frente ao Partizan, em 1995, em que somou 45 pontos com 10 lançamentos de 3 pontos convertidos;

73000

A atividade do Sport Lisboa e Benfica gerou um lucro de cerca de 73 mil euros em 2021/22, sendo que o prejuízo verificado se deveu, aplicando-se o método de equivalência patrimonial, à influência das contas da Benfica SAD (direta e via Benfica SGPS). Assim, expurgando-se a influência das participadas, o clube regista lucro pelo 13º ano consecutivo;

16997000

O Sport Lisboa e Benfica teve, em 2021/22, perto de 17 milhões de receitas de quotização, o segundo montante mais alto de sempre, 182 mil euros abaixo do registado em 2019/20, mas 6% acima de 2020/21.

Jornal O Benfica - 30/9/2022

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

O triunfo dos imbecis

Crónica publicada no Dinheiro Vivo. Também publicada, em papel, no suplemento que acompanha as edições do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

A selecção de todos nós – um slogan

Já há muitos anos que deixei de ter qualquer vínculo emocional à selecção portuguesa de futebol e não o tenho escondido no espaço público em que vou tendo voz. Adoro fases finais de competições de selecções, pura e simplesmente não torço por qualquer participante. A minha última grande alegria foi o golo de Rui Costa frente a Inglaterra no Euro’2004, e não o triunfo nas meias-finais que se seguiram ou qualquer jogo desde então, nem sequer o triunfo do Euro’2016, ao qual, infelizmente (?), reagi com indisfarçável indiferença.

Foi precisamente em 2004 que comecei a sentir algum distanciamento. Retrospectivamente, julgo que houve várias razões a contribuírem para o que, na altura, classifico agora, se tratou de uma mera embirração.

Fez-me alguma confusão o patriotismo de pacotilha, muito impulsionado por campanhas de marketing da Federação ou de marcas cujo objetivo último era vender os seus produtos, durante o evento organizado em Portugal. Este manifestou-se sob diversas formas, cada uma mais ridícula do que a outra. O exibicionismo da bandeira portuguesa em tudo o que era janela sem se cuidar de notar, até demasiado tarde, que em vez dos castelos havia pagodes foi, talvez, o expoente máximo da artificialidade daquele frenesim lusitano, cujo discurso era repleto de tiques de linguagem comuns nas mais pobres mensagens pró-nacionalismos.

Também alguma arrogância, reconheço, muito frequente entre adeptos fanáticos por um clube, nos quais orgulhosamente me incluo. Ouvir gente que não gosta de bola a discutir futebol em qualquer local e em qualquer momento, para mais com certezas disto e daquilo, é de bradar aos céus.

E, mais importante, uma noção clara de que a selecção cada vez menos me representava enquanto português. Vivíamos o tempo do apito dourado, sentia asco por muitos dos protagonistas do futebol nacional, incluindo alguns jogadores seleccionados, e até as chantagens emocionais de Scolari, tão óbvias e infantis, para granjear o apoio do povo não me seduziam minimamente, pelo contrário afastavam-me.

Nada disto é importante e só me dá vontade de rir quando algumas pessoas, sabendo-me tão benfiquista e tão apaixonado por desporto, reagem atonitamente perante a minha indiferença para com a selecção. Até é relativamente simples: nada tenho contra ela, apenas não me diz respeito. Desejo que tudo corra bem aos benfiquistas que a representam e é tudo.

Ora, isto para dizer que se o Rafa não quer ir à selecção, então que não vá e nem tem nada por que se justificar.

E fica um convite à reflexão de quem entender que o deve fazer: a esmagadora maioria dos benfiquistas que ouvi / li pronunciarem-se sobre o assunto em público e em privado aclamaram Rafa pela decisão tomada. Deveria dar que pensar.

Jornal O Benfica - 23/9/2022

Números da semana (92)

2

O Benfica conquistou a Supertaça de basquetebol (feminino) pela 2ª vez;

13

Vitórias consecutivas do Benfica em competições oficiais desde que a época começou. É apenas a 2ª vez que este registo é conseguido (em 1982/83 foram 15) e é a 12ª vez que o Benfica não perde qualquer partida nos primeiros 13 “jogos oficiais”. No Campeonato são 7 triunfos (6ª vez), com um saldo de 16 entre golos marcados e sofridos (19-3), o 2º melhor registo desde 1990/91;

22

Gonçalo Ramos bisou e passou a ser o segundo mais goleador em competições oficiais pela equipa de honra do Benfica entre os membros do atual plantel;

27

Competições nacionais consecutivas ganhas pelo Benfica na vertente feminina do hóquei em patins. Desta feita foi a 9ª Supertaça;

E Henrique Araújo ganhou ritmo na B e bisou, passando a ser o melhor marcador de sempre do Benfica pela equipa B na II Liga, com 27 golos;

30

Passados 30 anos, o Benfica voltou a ganhar a Supertaça de andebol (feminino);

33

Rafa ascendeu à 7ª posição dos mais goleadores no actual estádio da Luz, com 33 golos (incluindo particulares). É o 5º com mais assistências para golo (26), o 11º em jogos (128) e o 13º em tempo de utilização (8704 minutos – incluindo tempos adicionais). E passou a ser, a par de Francisco Rodrigues, o 33º melhor marcador do Benfica no Campeonato Nacional (46 golos). Em competições oficiais é o 37º, com 64 golos, tantos quanto os marcados por Corona, mas em mais partidas;

11886

Grimaldo passou a ser, no atual plantel, o jogador com mais tempo de utilização pela equipa principal no estádio da Luz. São 11886 minutos, só superado por Luisão, Maxi Pereira, Pizzi e Cardozo. É, a par de Gaitán, o 9º com mais jogos (incluindo particulares e tempos adicionais).

Jornal O Benfica - 23/9/2022

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Notas soltas

- O episódio da criança obrigada a despir a camisola do Benfica – ficando em tronco nu – para assistir ao jogo em Famalicão foi grotesco. Uma iniquidade sem nome. Um caso que deveria corar de vergonha todos os envolvidos, direta ou indiretamente, com maior ou menor responsabilidade no sucedido;

- Já é tempo de se acabar com os paternalismos e a condescendência. A segurança naquela bancada em Famalicão nunca estaria posta em causa por uma criança (ou quem quer que fosse) usar uma camisola do adversário, mas por eventualmente haver imbecis que reagiriam violentamente ao facto de uma criança (ou quem quer que fosse) usar uma camisola do adversário. Penalizou-se a criança, para que os eventuais imbecis não dessem largas à sua imbecilidade. Prefiro que se penalize os imbecis caso demonstrem, com violência, que o são. E que sejam afastados dos estádios;

- Entretanto, passou em claro o penálti sobre Draxler em Famalicão. O árbitro não viu e daí não vem mal ao mundo porque há VAR nos jogos da Liga, mas o VAR também não viu. Este VAR chamava-se Fábio Melo, experiente em não ver, como VAR, grandes penalidades evidentes a favor do Benfica. Cenário dantesco: parelha de Fábios num jogo do Benfica. E não me acusem de dar ideias ao Fontelas, cuja criatividade com o propósito que se sabe parece ser ilimitada;

- E ganhámos. O começo está a ser bom;

- Assim como o início de época das restantes modalidades. Vencemos as três supertaças disputadas até ao momento, acrescidas de um dos dois restantes troféus que poderíamos ganhar para já. Parece-me evidente que, na época passada, houve uma subida de competitividade generalizada das equipas do Benfica. Fomos dominadores na vertente feminina, nos homens melhorámos significativamente. A expectativa é que o sentido ascendente continue e os primeiros passos em 2022/23 estão a confirmá-lo.

- Apreciei muito a abertura de espírito da direcção do Sport Lisboa e Benfica na semana passada. O relatório e contas da SAD teve apresentação pública e Rui Costa deu uma entrevista em que explicou com algum detalhe a estratégia na última janela de transferências, ambas se constituindo como actos de transparência importante. A entrevista teve ainda um carácter inovador em Portugal, merecendo a iniciativa um forte aplauso.

Jornal O Benfica - 16/9/2022

Números da semana (91)

1

O Benfica venceu a 1ª edição da Elite Cup de hóquei em patins (feminino);

5

Ao fim de 12 partidas, são 5 os jogadores que começaram sempre na condição de titular: Odysseas; Grimaldo; Enzo Fernández; Florentino; Rafa (ordenados por tempo de utilização, só Odysseas é totalista);

8

E mais uma conquista benfiquista, a 8ª Supertaça de hóquei em patins, um troféu que fugia desde 2012, ano do último triunfo;

12

Vitórias consecutivas em competições oficiais desde o início da temporada. É, para já, o 2º melhor registo de sempre, apenas superado pelos 15 triunfos em 1982/83;

50

Grimaldo chegou à meia centena de assistências para golo pelo Benfica em jogos de competições oficiais;

80

Foram precisos 80 minutos em cada um dos 2 jogos da Supertaça de andebol (2 prolongamentos em cada partida, nas meias-finais com o FC Porto, na final com o Sporting), disputados em 2 dias consecutivos, para que o Benfica conseguisse vencer de forma notável a Supertaça de andebol pela 7ª vez (palmarés oficial), mesmo que se calhar tenha sido a 9ª (foi o caso na opinião do autor desta coluna);

201

Odysseas Vlachodimos tornou-se no 96º jogador (10º guarda-redes e 15º estrangeiro) na história do Benfica a alinhar pela equipa de honra em duas centenas de partidas (incluindo particulares). Por ordem crescente de jogos: Moreira, Quim, Preud’Homme, Bastos, António Martins, Silvino, José Henrique, Costa Pereira e Bento foram os restantes guarda-redes a representar a primeira equipa do Benfica em pelo menos 200 ocasiões;

265

Incluindo particulares, Rafa chegou às 265 partidas pelo Benfica e integra agora o top 60 dos futebolistas com mais jogos na primeira equipa.

Jornal O Benfica - 16/9/2022

terça-feira, 13 de setembro de 2022

De Veríssimo a Nobre, com pinceladas de Pacheco

Assim como até aos anos noventa do século passado poucos acreditavam na existência de planetas além do nosso sistema solar e no início deste mês já se havia descoberto 5157 exoplanetas, pode ser que, apesar de hoje ser uma hipótese pouco crível, talvez o Fábio Veríssimo ainda venha a apitar um jogo do Benfica em que não o prejudique. Fábio Veríssimo é, para o Benfica, uma verdadeira fava, e tal não se deve à origem latina do seu nome e apelido.

O homem é um péssimo árbitro. Do meu ponto de vista, ninguém no seu perfeito juízo consegue justificar que apite jogos da Liga, quanto mais o mistério insondável do estatuto de internacional que um dia alguém lhe atribuiu, sabe-se lá como, com que critério ou motivação.

“O Veríssimo é Veríssimo.

O Veríssimo é Fábio”.

E o que dizer de António Nobre – de apelido? Esse pseudo coiso preocupa-me. Terá sido um caso de catatonia sentado em frente a monitores na cidade do futebol?

Que Veríssimo, o Fábio, perto de um lance sem que alguém lhe obstruísse a vista, tenha transformado uma grande penalidade numa pretensa simulação com direito a admoestação de amarelo, no caso o segundo e subsequente expulsão, ninguém se admira. Afinal, é certo e sabido que se trata de um árbitro horrível, com a agravante da propensão para a asneira inusitada, espantosamente frequente em prejuízo do Benfica. Mas Nobre – de apelido – só lhe faltaria um massagista para o ajudar a relaxar, e talvez um sumo de laranja natural que a hidratação e a vitamina C são importantes, para desempenhar a função de salva-Veríssimo com recurso a vídeo, zooms catitas e tantos ângulos que esta gente quase se torna versada em geometria descritiva. E ainda assim não viu o que todos, além da verdadeira fava, vimos.

Ponho-me no lugar do Gonçalo Ramos: ao invés de ser o herói cuja acção resultou num penálti que poderia assegurar a vantagem no marcador, acabou saindo cabisbaixo do relvado porque um incompetente assessorado por um inútil assim o determinou. E não gosto da sensação.

Que mais tem a verdadeira fava de fazer para que pare de prejudicar o Benfica? E que mais tem de deixar de fazer o Nobre – de apelido – para que a arbitragem se torne numa vaga lembrança de tempos idos na sua vida, para felicidade de todos nós?

Felizmente, ganhámos!

Já Álvaro Pacheco, treinador do Vizela celebrado pela qualidade do futebol implementado no seu clube – esqueçam lá isso das trancas, dos ferrolhos e do antijogo na Luz – e, por vezes, da boina, que disse sentir-se pequenino por ter sido (bem assinalado!) um penálti contra a equipa que orienta, deve agora sentir-se, apesar de eu não crer que o venha a admitir, imensamente mínimo com a figurinha que fez naquela flash. Terá sido certamente um momento infeliz e incaracterístico, mas tinha de ser assinalado, até para memória futura, porque a passada, em casos de clube bem identificado, o fairplay soou sempre a simpatia desmesurada, daquela que facilmente se confunde com evidente servilismo.

O futebol português é uma festa.

Jornal O Benfica - 9/9/2022

Números da semana (90)

3

Notável a participação de Diogo Ribeiro no Campeonato do Mundo juniores de natação. 3 medalhas de ouro, as 3 primeiras subidas ao lugar cimeiro do pódio por um português na modalidade. 50 metros livre, 50 e 100 metros mariposa. E ainda estabeleceu o novo recorde do mundo nos 50 metros mariposa neste escalão (22,96 segundos). Recorde-se que há poucas semanas, no Campeonato da Europa (seniores), o nadador do Benfica conquistara o bronze;

10

O Benfica completou 10 jogos em competições oficiais na presente temporada, perfazendo o pleno de triunfos, que só havia acontecido em 1982/83. Além da época de estreia de Eriksson no clube, só noutras 3 o Benfica venceu pelo 9 vezes na primeira dezena de “jogos oficiais”;

20

Grimaldo atingiu a marca das 20 assistências para golo no actual estádio da Luz (incluindo jogos particulares). É o 7º melhor neste ranking;

50

Gilberto chegou aos 50 jogos pelo Benfica no Campeonato Nacional;

62

Rafa marcou o seu 62º golo pelo Benfica em “jogos oficiais”, igualando o registo de Salvio, mas em menos 30 jogos e sem grandes penalidades. É o 37º melhor marcador de sempre. Na Liga dos Campeões soma 7 golos e só 9 futebolistas do Benfica foram mais concretizadores na prova (o líder Eusébio apontou 46). Neste estádio da Luz foi autor de 32 golos (incluindo jogos particulares) e é o 7º mais goleador;

95

Odysseas passou a ser o 15º futebolista com mais jogos pelo Benfica no actual estádio da Luz. É o 12º em tempo de jogo;

2027

Excelente notícia a renovação dos contratos até 2027 com António Silva e Henrique Araújo, simultaneamente promissores e certezas pelo contributo válido no presente e por tudo terem para evoluírem muito mais.

Jornal O Benfica - 9/9/2022

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Crescer ainda mais

Terá sido poucos meses antes do decreto de pandemia. Noite de semana invernosa, jogo da Taça da Liga. E lá estava ele, no seu cativo no piso 1 do estádio da Luz, o carinhosamente conhecido por “Ti Emílio” em grande forma para apoiar o nosso Benfica. Teria uns 98 anos. Tomara eu e qualquer um de nós, naturalmente. Que mais poderemos ambicionar de uma vida dedicada ao Benfica do que saúde e disposição em tão provecta idade para sair de casa à noite, por fria e chuvosa que seja, e rumar ao estádio da Luz?

Emílio Andrade Júnior, nascido em 1921, foi feito sócio do Sport Lisboa e Benfica aos 12 anos, em janeiro de 1934, não havia ainda Campeonato Nacional. Na semana em que, nos cartões, o número de sócio do Benfica ultrapassou os trezentos mil, sabendo-se que seremos à volta de 267 mil sócios activos, é interessante revisitar o passado para que nos apercebamos ainda melhor de quão extraordinária é, no presente, a grandeza da massa associativa do clube.

No final da temporada 1933/34, o Sport Lisboa e Benfica tinha 4314 associados. Em relação ao ano anterior houve um aumento de 499 sócios, entre os quais constava o então jovem Emílio, sendo que cerca de 35% da massa associativa pertencia às categorias menores ou infantis. E o peso das receitas de quotização era enorme, correspondendo a quase metade do total das receitas angariadas pelo clube nesse exercício económico (48,7%).

A comparação com os tempos actuais, ao nível da estrutura das receitas, é inútil, mas é interessante observar a estratificação dos sócios do clube, agora e então. No final de 2020/21, os sócios menores de 18 anos perfaziam 26% de toda a massa associativa benfiquista, um peso menor do que em 1934, mas ainda assim muitíssimo significativo.

Agora, como desde sempre, muitos dos jovens sócios deixam de o ser a partir dos 14 anos, idade em que termina a isenção do pagamento de quota nos casos em que o pai ou a mãe são sócios. Ou ainda quando deixam de praticar desporto no clube. O grande desafio neste domínio é aumentar a capacidade de retenção de sócios e tem sido visível o esforço do clube nesse sentido, com o lançamento de novas categorias como o “sócio família”, por exemplo.

A dimensão da massa associativa do Sport Lisboa e Benfica estabilizou no patamar acima dos 200 mil sócios, algo impensável há escassos vinte e cinco anos. Mas será uma ilusão pensar-se que temos potencial para mais? Eu acredito que sim, temos e não é pouco.

Façamos todos um esforço junto de familiares, amigos e conhecidos para que cresçamos ainda mais. E se o benfiquismo não chegar, demonstremos o racional económico. Veja-se o meu caso, sócio há mais de 45 anos, número 6460: muito frequentemente, “não pago” quotas do Benfica, pois utilizo sempre o saldo acumulado na carteira virtual via descontos proporcionados pelo facto de ser sócio do Benfica. Feitas as contas, ajudo o Benfica de borla. E não há dinheiro que pague as alegrias que o Benfica nos dá.

Jornal O Benfica - 2/9/2022

Números da semana (89)

1

O Benfica é líder isolado à 4ª jornada;

2

O Benfica venceu a Supertaça de futebol (feminino) pela 2ª vez;

8

Pela 2ª vez apenas, o Benfica venceu todos os primeiros 8 jogos oficiais da temporada. A única época em que havia conseguido este registo fora 1982/83, a primeira de Eriksson no clube. Ao fim dos 8 jogos, Gonçalo Ramos é o melhor marcador com 6 golos e Neres quem mais assistiu, com 5 passes/cruzamentos para golo. Morato e Odysseas são os únicos totalistas, com 772 minutos jogados (inclui tempos adicionais). Além deste duo, Enzo, Florentino, Grimaldo, Gonçalo Ramos, João Mário e Rafa foram os restantes utilizados em todas as partidas;

20

Gonçalo Ramos atingiu as duas dezenas de golos pela equipa de honra do Benfica em competições oficiais, passando a ser o 2º mais goleador no atual plantel. Rafa lidera este item com 61 golos;

101

Faleceu, aos 101 anos, o sócio nº1, Emílio Andrade Júnior, Ti Emílio para os muitos que tiveram o prazer de o conhecer;

235

Rafa chegou aos 235 jogos em competições oficiais pelo Benfica, igualando o registo de Jaime Graça e passando a figurar no top50;

500

Jogos da equipa de honra do Benfica neste estádio da Luz (incluindo particulares). 73% de vitórias, 15,2% de empates, 11,8% de derrotas, 2,22 golos marcados por jogo e 0,73 golos sofridos por jogo. Luisão é o recordista de jogos (273), Cardozo o mais goleador (109) e Gaitán (56) quem mais assistiu para golo;

300000

O número de cartão de sócio do Sport Lisboa e Benfica chegou aos 300000. É impressionante, mesmo sabendo-se que os sócios ativos rondem os 267000, por si só deveras impressionante também (a última renumeração foi em 2015).

Jornal O Benfica - 02/09/2022

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Das intenções aos atos

Crónica publicada no Dinheiro Vivo. Também publicada, em papel, no suplemento que acompanha as edições do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

Números da semana (88)

1

O Benfica é campeão do mundo sub20. Não seria necessário vencer o Peñarol na estreia da Taça Intercontinental sub20 para certificar o Benfica enquanto um dos melhores clubes formadores a nível global, mas o triunfo faz sentido e o epíteto “melhor do mundo” assenta muito bem;

2

Derrotar o Twente, no seu próprio campo, foi um excelente resultado para a equipa feminina de futebol, ficando agora a uma eliminatória (2 jogos) de participar, pelo 2º ano consecutivo, na fase de grupos da Liga dos Campeões. Recorde-se que, na época passada, o Benfica foi o estreante português entre os 16 melhores da Europa;

6

O Benfica venceu os 6 primeiros jogos em competições na presente temporada. É a 6ª vez, desde 1906/07 (época de estreia em jogos “oficiais”), que tal acontece;

8

São 8 as futebolistas do Benfica na mais recente convocatória da seleção nacional;

9

Rafa marcou o seu 9º golo pelo Benfica em competições europeias, entrando para o top20 (19º) dos mais goleadores de águia ao peito em provas da UEFA;

12

O Benfica está pela 12ª vez, nas últimas 13 temporadas, na fase de grupos da Liga dos Campeões;

121

Fernando Pimenta conquistou mais 3 medalhas (ouro – K1 5000; prata – K1 1000; bronze – K1 500) no Campeonato da Europa e aumentou o seu pecúlio, a nível internacional, para 121 subidas aos pódios;

255

Grimaldo chegou aos 255 “jogos oficiais”, igualando o registo de António Martins e Gaitán (o trio ocupa a 44ª posição no ranking);

600

O anúncio foi mais ou menos vago: “Sessão de autógrafos de dois atletas do futebol profissional”. Resposta: cerca de 600 benfiquistas compareceram no evento. Impressionante!

Jornal O Benfica - 26/8/2022

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Números da semana (87)

0,14

Otamendi foi admoestado com 27 cartões amarelos nos 64 jogos pelo Benfica nas competições nacionais. Mais do que os 26 mostrados ao argentino em 93 partidas, também em competições nacionais. Ou seja, o Otamendi do Benfica leva 0,42 amarelos por jogo, enquanto o Otamendi do Porto levava 0,28, uma diferença de 0,14 que explica alguma coisa sobre as arbitragens cá do burgo;

1

Pichardo é campeão da Europa do triplo salto!

5

O Benfica venceu os primeiros 5 jogos de competições oficiais na presente temporada, algo que acontece pela 7ª vez na história;

8

São muito elevadas as expetativas em relação ao reforço do basquetebol, Toney Douglas, o jogador com melhor currículo de sempre a atuar em Portugal. 8 anos na NBA, 394 jogos (65 no 5 inicial e ainda 15 jogos nos playoffs) com 19.1 minutos de utilização por jogo na época regular. Jogou ainda na China, Turquia (em dois clubes da Euroliga, incluindo o sempre candidato a vencer a principal prova europeia, o Anadolu Efes), Espanha, Itália, Grécia e Israel;

23’07’’

Aos 17 anos apenas, o nadador do Benfica conquistou a medalha de bronze no Campeonato da Europa de natação nos 50 metros mariposa (a terceira de sempre de um português num Europeu). Bateu o recorde nacional nas eliminatórias, melhorou-o nas meias-finais e voltou a reduzir o tempo na final, na qual terminou em 3º. Estabeleceu ainda o recorde nacional nos 100 metros livres (48’52’’);

50

João Mário chegou aos 50 “jogos oficiais” pelo Benfica;

150

Frente ao Casa Pia, Rafa alinhou pela 150ª vez pelo Benfica no Campeonato Nacional. Soma 44 golos de águia ao peito na prova (34º). Em todas as competições oficiais, marcou 60 golos em 232 jogos (39º).

Jornal O Benfica - 19/8/2022

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Chalana

O Chalana, para mim, é quase uma figura mitológica. As minhas primeiras memórias futebolísticas remontam ao Campeonato da Europa em 1984, mais concretamente a algumas jogadas estonteantes do Chalana pela selecção portuguesa nesse europeu. O resto é posterior, portanto já só acompanhei o ocaso da sua carreira.

Mas crescer a ouvir o meu pai e os seus amigos, que passaram a adolescência no estádio da Luz a ver o Eusébio e companhia na década de sessenta, e mesmo assim era ao Chalana, além de Eusébio, que dedicavam maior admiração, tem muito impacto. “Lembro-me de ver um jogo dos juniores no início de época e de ficar siderado com o Chalana. Fui a quase todos os jogos nessa época só para o ver jogar” ou “era inacreditável, os adversários caiam sozinhos” são apenas dois exemplos do muito que fui ouvindo.

A minha idolatria pelo Chalana é, portanto, em grande parte herdada e posteriormente cimentada por apontamentos ocasionais que lhe vi fazer em campo depois de regressar de Bordéus. Mais tarde, também pelos inúmeros testemunhos de antigos colegas em público e em privado e pela consulta de edições antigas de jornais na pesquisa para os meus livros. E sem esquecer algumas imagens, surpreendentemente poucas para quem atingiu o auge na sua carreira futebolística já na década de oitenta.

Aliás, considero mesmo um crime lesa futebol não haver mais imagens do Chalana. Se a RTP as tem em arquivo, seria verdadeiro serviço público divulgá-las. Não se trata de futebol apenas. É arte, é ilusão, é paixão. Chalana não foi um mero grande jogador de futebol. Foi um criador de sonhos, foi, nos relvados do rigor da táctica e do aprumo físico, a personificação da alegria que muitas crianças sentem a jogar futebol.

Ao morrer Chalana morre também um bocadinho do Benfica, daquele Benfica idealizado pelos benfiquistas em que todos os que têm a honra e o privilégio de o representar têm de ser Chalanas ou Eusébios. Chalana é uma das maiores figuras da história do Benfica, um ídolo com pés de ouro.

Até sempre!

Jornal O Benfica - 12/8/2022

Números da semana (178)

1 Terminadas as principais 7 ligas europeias e a Liga dos Campeões, Trubin foi o melhor guarda-redes sub-23 nos seguintes dados estatístic...