segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Notas soltas

- Que bom é ver Gonçalo Guedes de regresso ao Benfica. É um dos mais notáveis protagonistas da geração BTV, aquela que acompanhámos, através do nosso canal de televisão, o crescimento nos diferentes escalões etários. Guedes, que sempre deu nas vistas pela irreverência e pelo enorme potencial, é daqueles em que mais se notou evolução, deixando paulatinamente de ser um muito entusiasmante jogador da bola para se tornar num formidável jogador de futebol. E a estreia após o regresso deu-se com um golo, um daqueles típicos dele que tantas vezes o vimos conseguir nas camadas jovens;

- A todos os que olham para os 15032 na Luz e desdenham o recorde de assistência nos jogos oficiais da vertente feminina do futebol, relembro que na jornada do Campeonato Nacional dos homens disputada no mesmo fim-de-semana houve somente duas partidas com mais espectadores;

- Diz o povo “quem não chora, não mama”; dirá Paulinho, avançado do Sporting, “quem não grita, não mama”. E pensará Taremi: “Tenho concorrência”;

- A Juventus foi castigada por sobrevalorizar transferências de jogadores para embelezar as contas. O que tem isto a ver com o futebol português? Absolutamente nada. Não há qualquer suspeita de ter enveredado por esta prática em conluio com FC Porto, Sporting ou V. Guimarães;

- Há uma vítima de julgamento público sem que se conheçam provas de quaisquer ilícitos, sofrendo com isso danos reputacionais e outros, até desportivos, que o condicionamento não acontece apenas com visitas ao centro de rendimento dos árbitros na Maia. Sabe-se que há uma investigação iniciada há já vários anos, ao ponto dessa vítima ter sido agora constituída arguida para que, de acordo com a comunicação social, não houvesse prescrição dos alegados, mas desconhecidos, ilícitos, observando-se a inexistência, ainda e passados tantos anos, de qualquer acusação. Essa vítima nem sequer sabe concretamente as razões para que tivesse sido constituída arguida, apesar de um representante de uma terceira parte, por coincidência aquela que teve um outro seu representante, na televisão, a deturpar o conteúdo de emails roubados para criar uma narrativa sobre o investigado, assumir que o seu representado conhece a investigação, contribuindo dessa forma, mesmo que eventualmente de forma inadvertida, para adensar o clima de suspeição generalizada. E o julgamento na praça pública, assente em coisa nenhuma, lá continua. Nada disto é original, o Kafka escreveu uma versão mais ou menos parecida e chamou-lhe “O processo”.

Jornal O Benfica - 27/1/2023

Números da semana (108)

1

Os juniores do Benfica asseguraram a primeira posição na zona sul do Campeonato, à semelhança do que já haviam conseguido os sub23, os juvenis e os iniciados nas séries B, C e D, respetivamente, dos seus campeonatos;

9

Troféus nacionais consecutivos para o Benfica no basquetebol feminino com a conquista da Taça Federação. A saber: 2 Campeonatos Nacionais; 2 Taças de Portugal; 2 Supertaças; 2 Taças Federação; 1 Taça Vítor Hugo;

10

Com o contributo de Gonçalo Guedes frente ao Santa Clara, são 10 os jogadores formados no Benfica utilizados por Roger Schmidt em competições oficiais, de um total de 33 em campo na presente época. Foram 6 ante o Santa Clara;

24

O Benfica foi o 24º clube, o único português no top30 e o líder excluindo Big5, que mais faturou em 2021/22 (excluindo transferências) de acordo com o Delloite Football Money League;

27

É a 6ª vez que o Benfica soma pelo menos 27 vitórias em competições oficiais (regionais, nacionais e internacionais) nos primeiros 33 jogos. A última vez foi em 1972/73. E é apenas a 2ª vez que chega ao 33º jogo somente com uma derrota (a anterior foi em 1959/60);

110

A secção de ginástica do Benfica completou 110 anos;

221

Incluindo particulares, Vlachodimos leva 221 jogos de águia ao peito, o que o coloca no top75 dos futebolistas que mais vezes representaram o clube pela equipa de honra. Na posição de guarda-redes, é o 8º. É o 9º estrangeiro;

15032

Novo recorde nacional de espectadores num jogo oficial de futebol feminino. Uma tarde perfeita no estádio da Luz com uma grande exibição do Benfica, 5-0 ao Sporting e passagem às meias-finais da Taça de Portugal.

*Não inclui o Paços de Ferreira – Benfica.

Jornal O Benfica - 27/1/2023

sábado, 21 de janeiro de 2023

Liga do dinheiro

Crónica publicada no Dinheiro Vivo. Também publicada, em papel, no suplemento que acompanha as edições do Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

Vamos em frente!

Haverá som mais horrível que o urro que se segue a um golo do Sporting ou do Porto no estádio da Luz? Existirá, no futebol, imagem mais perturbadora do que uma horda de sportinguistas ou portistas a celebrarem no nosso estádio, fazendo lembrar o lado mais sinistro do famoso tríptico de Bosch, O Jardim das Delícias Terrenas? Julgo que não e só um triunfo remete rapidamente para o esquecimento a carga perturbadora desses eventos. Não foi o caso no sábado.

Mas, aparte essa faceta simbólica e emocional da rivalidade desportiva, o jogo pode ser resumido às incidências que resultaram no empate. Com a distância que o Sporting tem do Benfica, o desfecho acaba por ser irrelevante nesta luta particular. Portanto, na prática, perdemos dois pontos, tanto faz que tenha sido com o Sporting ou com outro qualquer.

Assim, o que realmente importa é que, à entrada da última jornada da primeira volta, temos quatro pontos de avanço sobre o Braga e cinco sobre o Porto, recebendo ambos na luz no segundo turno. É uma posição privilegiada na luta pelo título. Nada garante, é certo, mas coloca-nos mais próximos do que os nossos adversários. E premeia a equipa mais consistente nas primeiras 16 jornadas.

O jogo com o Sporting teve tudo para que sofrêssemos uma derrota. Demorámos a entrar na partida, falhámos boas oportunidades até que, já contra a corrente do jogo, o Sporting adiantou-se no marcador. Daí até final quase só deu Benfica, com, pelo meio, boas ocasiões desperdiçadas pela nossa equipa e um penálti para o Sporting a pedido de Tiago Martins, o da rábula da moeda (quem sabe de plutónio ou qualquer coisa assim), menos solícito, como seria de esperar, num lance pra grande penalidade sobre Rafa.

O Benfica demonstrou raça, querer, ambição e qualidade já mais próxima daquela patenteada nos momentos altos da época. Repita-se a dose em todos os restantes jogos e não tenho a menor dúvida de que ganharemos a esmagadora maioria deles.

E ao olharmos para a classificação lembremo-nos do que muitos pensaram após a derrota em Braga, só demorando uma semana para que tenhamos assistido a uma inversão de contexto. Nenhum dos nossos adversários apresentou, até hoje, nível exibicional e consistência para que se vislumbre, da parte deles, muitas vitórias consecutivas.

Continuemos focados e empenhados, a fazer de cada jogo uma final. Estamos na luta!

Jornal O Benfica - 20/1/2023

Números da semana (107)

11

Terminou a 1ª volta da Liga BPI com o Benfica a obter 11 vitórias em 11 jogos e a liderar o Campeonato Nacional de futebol feminino com 8 pontos de vantagem obre o 2º classificado;

20

Gonçalo Ramos é o 16º a chegar à vintena de golos no atual estádio da Luz (incluindo jogos particulares). O mais goleador é Cardozo, com 109, seguido por Jonas, com 92;

22

Grimaldo passou a ser, a par de Maxi Pereira, o 6º com mais assistências para golo no atual estádio da Luz. Rafa, o autor da outra assistência frente ao Sporting, é o 5º, com 27, a uma de Aimar e Salvio (inclui jogos particulares);

31

Gonçalo Ramos bisou frente ao Sporting a chegou aos 31 golos em competições oficiais pela primeira equipa do Benfica, tantos quanto os obtidos por Raul Jiménez. O jovem português fê-lo em menos 35 jogos, mas em mais 112 minutos do que o mexicano (inclui tempos adicionais – 4967 no total). E, enquanto Jiménez marcou 5 de penálti, Ramos ainda não se estreou a marcar neste capítulo do jogo. Outra comparação possível neste momento é com Darwin, pois Ramos atuou no mesmo número de “jogos oficiais”: 85. O uruguaio marcou 48 golos pelo Benfica em “jogos oficiais” (6 de grande penalidade) em 5850 minutos. Ou seja, no Benfica, Ramos marcou a cada 160 minutos, Jiménez 187 e Darwin 139 (excluindo penáltis);

45

Rafa chegou aos 255 “jogos oficiais” pelo Benfica e passou a ser o 45º neste ranking, acompanhado por Gaitán e António Martins;

134

Rafa é, a par de Salvio, o 7º com mais jogos pelo Benfica neste estádio da Luz (inclui particulares);

200

Odysseas Vlachodimos atingiu a marca dos 200 jogos em competições oficiais pelo Benfica. Foi o 63º a consegui-lo (o 6º guarda-redes e o 8º estrangeiro).

Jornal O Benfica - 20/1/2023

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Números da semana (106)

1

João Neves é o mais recente jogador formado no Benfica Campus a representar as águias neste estádio da Luz, sendo o 47º a consegui-lo (incluindo jogos particulares e considerando apenas aqueles que alinharam pelo Benfica até aos sub19 desde setembro de 2006). António Silva e Diego Moreira são os outros que, nesta temporada, também se estrearam na Luz. Esta lista é encabeçada por Rúben Dias, com 70 jogos, seguido por Gonçalo Ramos, com 45, que se isolou na 2ª posição, antes partilhada com Diogo Gonçalves. Além dos referidos acima, no atual plantel constam ainda Florentino (7º), Morato (15º), Paulo Bernardo (17º) e Henrique Araújo (21º);

11

Incluindo em jogos amigáveis, Grimaldo soma 11 golos de livre directo, sendo apenas superado por Eusébio e Simão;

26

Considerando todas as competições oficiais e vitória ou derrota após desempates por pontapés da marca de grande penalidade, desde 1982/83 que o Benfica não vencia 26 vezes nos primeiros 31 jogos e só em duas temporadas fez melhor (27): 1960/61 e 1972/73;

42

De acordo com o Transfermarkt, Roger Schmidt foi o segundo treinador das 15 maiores ligas europeias com mais vitórias durante 2022, ficando a uma de Jurgen Klopp;

199

Odysseas superou Preud’homme em número de “jogos oficiais” pelo Benfica e passou a ser o 6º guarda-redes de águia ao peito com mais presenças em competições oficiais. E passou a ser o 8º estrangeiro com mais “jogos oficiais” pela equipa de honra do Benfica;

9757

Odysseas, no jogo com o Portimonense, superou Salvio e Gaitán e passou a ser o 8º com mais tempo de utilização (9757 minutos) no atual estádio da Luz (inclui jogos particulares e tempos adicionais). É o 1º considerando apenas guarda-redes.

Jornal O Benfica - 13/1/2023

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Morreu aquele cuja alcunha traduz a magia do futebol

 Artigo publicado no jornal O Benfica na edição de 6 de janeiro de 2023.

Aniversário da estreia absoluta

 Artigo publicado no jornal O Benfica na edição de 30 de dezembro de 2022.

2022

Este ano prestes a terminar ficou marcado pelos muitos títulos conquistados pelas equipas femininas do Benfica. Foram seis, considerando apenas o escalão sénior, o que não é coisa pouca, até porque nunca havia sido conseguido. Claro que, no passado, o Benfica não marcara presença em tantas modalidades no feminino, mas tal não desmerece o feito conseguido em 2022; pelo contrário acentua-o.

O Sport Lisboa e Benfica é o maior clube português e a sua aposta na vertente feminina do desporto é condicente com esse estatuto, tanto em amplitude como mérito. Andebol, basquetebol, futebol, futsal, hóquei em patins e polo aquático são as modalidades em que o Benfica é o campeão em título. Melhor ainda: é o favorito a vencer, de novo, cada campeonato dessas modalidades. Há ainda esperanças fundadas de sucesso no râguebi e, quem sabe, no voleibol. Acima de tudo, o Benfica, enquanto colecciona títulos e troféus, está a desempenhar um papel notável na promoção do desporto feminino, contribuindo assim, indelevelmente, para uma sociedade menos desigual.

O ano não foi tão auspicioso no masculino, não sendo positivo nem negativo. O Benfica, no futebol, relegado para outra posição que não a primeira, nunca tem um ano positivo. Porém, o regresso aos quartos-de-final da Liga dos Campeões foi interessante e, sobretudo, o alcançado na presente temporada (liderança destacada do Campeonato e primeiro posto na fase de grupos da Liga dos Campeões à frente do PSG) augura um excelente 2023, assim se consiga manter o nível competitivo. E houve títulos no atletismo, basquetebol e voleibol, uma melhoria relativamente ao ano transacto, além do extraordinário título europeu no andebol. E também a UEFA Youth League e a Intercontinental dos sub19 de futebol.

Acrescem a maior presença europeia no conjunto das várias modalidades, a aposta mais firme no desenvolvimento sustentado de outras (desde logo, o râguebi) e o projecto olímpico, com notáveis desempenhos, a nível mundial, de alguns atletas de atletismo, canoagem, judo e natação.

Talvez a principal marca de 2022, com vários pontos positivos, alguns deles históricos, seja a expectativa legítima de que 2023 será melhor. Eu acredito!

Um bom ano a todos, com saúde e repleto de títulos do Benfica, é o que nos desejo.

Jornal O Benfica - 30/12/2022

Números da semana (178)

1 Terminadas as principais 7 ligas europeias e a Liga dos Campeões, Trubin foi o melhor guarda-redes sub-23 nos seguintes dados estatístic...