quinta-feira, 21 de março de 2019

Capelada 18/19


Acho que todos os Capelas deveriam deixar a arbitragem. Não gosto daquele que, às vezes, assinala penáltis mais rápido que a sua própria sombra, nem do outro que, noutras ocasiões, considera que o peito começa no dedo mindinho da mão esquerda e termina no mindinho da outra. Também detesto o que gere os cartões durante algumas partidas e o outro que, ao ver o Cardozo dar uma palmada na relva da Luz frente ao Sporting, pronta e inapelavelmente o admoestou com o segundo amarelo. E então daquele que perde a noção do tempo, chego a sentir repulsa. Na verdade, eles parecem vários, mas são só dois. O irritante que apita jogos do Benfica e o solícito que apita jogos do FC Porto. Ambos são péssimos e, em boa verdade, são o mesmo, parecendo só mudar a postura e a aplicação de critérios consoante as cores.

Recuso-me a acreditar que Capela prejudica o Benfica e beneficia o Porto sistematicamente de forma propositada. Prefiro crer na sua honestidade, mas também na sua incompetência e permeabilidade aos inúmeros condicionamentos a que os árbitros de futebol são sujeitos. Preferiria, assim, que Capela pedisse escusa de apitar jogos de futebol ao mais alto nível pois já se tornou por demais evidente que o homem, seja por que motivo for, não tem condições para actuar competentemente.

Mas há mais Capelas. A temporada 2018/19 está a ser, quanto à arbitragen, uma vergonha sem precedentes. Antigamente todos sabíamos as razões: de viagens a café com leite, houve de tudo um pouco. Mas agora, e existindo ainda vídeoárbitro, é incompreensível haver erros atrás de erros em jogos do Benfica e FC Porto e quase sempre em benefício do mesmo. Não pode ser normal, nem é um acaso.


Jornal O Benfica - 22/3/2019

Sólidos


Por vezes devemos olhar para a realidade dos outros clubes para darmos a devida importância a medidas de gestão tomadas no nosso. A situação do Belenenses, na relação com a SAD, é elucidativa quanto aos perigos de privilegiar soluções milagrosas, em nome de amanhãs que cantam, para a resolução de problemas estruturais. Para já, é ainda caso único ao mais alto nível do futebol português (havendo inúmeros exemplos internacionalmente), mas o histórico Atlético deixou-se enredar numa situação com contornos semelhantes. E esta semana, no jornal A Bola, Dias Ferreira, conhecido sportinguista, defendeu a alienação da maioria do capital da SAD do seu clube, soçobrando perante a míngua de títulos no futebol e o crónico estado lastimoso das contas da SAD leonina.

Ora, nada disto nos diria respeito se pudéssemos assegurar que o Sport Lisboa e Benfica e as suas participadas gozariam da capacidade de perpetuar as suas excelentes situações económico-financeira e desportiva. Se hoje sabemos que quem está à frente dos destinos do clube tem provas dadas nestas e noutras matérias, não seria ajuizado supor que, no futuro, será sempre assim, até porque nós próprios já sofremos as agruras da gestão irresponsável, com as consequências que todos conhecemos.

É, portanto, indispensável frisar e reiterar a relevância da operação de transferência, na sua totalidade, da Benfica Estádio e BTV para o clube. A robustez associativa, patrimonial e económico-financeira do clube será sempre o melhor travão a aventureirismos.

P.S. Jogámos bem frente à Belenenses, SAD, assim como o vínhamos fazendo desde a entrada de Lage. Se mantivermos o nível exibicional, seremos campeões!

Jornal O Benfica - 15/3/2019

terça-feira, 12 de março de 2019

Reconquista


O declínio vertiginoso da carreira de Pepe é evidente: Ao serviço do Real Madrid, pontapeou um adversário deitado no relvado; Em Janeiro, pontapeou a canela do irrequieto João Félix e deixou-se cair prostrado na relva a contas com dores imaginárias; No sábado passado, perante a ameaça da aproximação do irrequieto João Félix, pontapeou a atmosfera, fez uma acrobacia apalhaçada e contorceu-se de dores, também imaginárias – louve-se a criatividade – tendo ainda a energia para, num acto fingido de extraordinária superação, insultar o adolescente Félix. Indiferente a estas tropelias de um reformado activo, o presente e futuro do futebol português limitou-se a sorrir e a ignorar o resquício de um outrora grande jogador, apesar da sua latente e nunca perdida deslealdade com colegas de profissão. Venha o próximo, pareceu pedir Félix.

Entretanto, os Goebbels de algibeira portistas já entraram em acção, achando que o mundo cristalizou e que o Benfica actual, com vários campeões no seu plantel (alguns tetra e vários tri), não saberá lidar com tentativas bacocas do uso de psicologia invertida.

Não, caros imprestáveis, ninguém no Benfica acha que se pode encomendar já as faixas de campeão. Todos sabemos que serão dez árduas finais e que, a nós, por muito que vos possa parecer estranho – lá saberão como se “fazem as coisas” – ninguém nos dá nada. Não deixa, no entanto, de ter uma certa piada que gente afecta ao clube mais vídeo ajudado na primeira volta do campeonato e que desperdiçou nove pontos para o agora líder Benfica, ache que a pressão estará no lado de quem recentemente celebrou um tetra e que, nos últimos dois meses, tem demonstrado cabalmente que é muito melhor...

Jornal O Benfica - 8/3/2019

sexta-feira, 1 de março de 2019

Neofilarítmico me confesso

Durante a primeira parte do Benfica – Chaves dei por mim a contar a quantidade de boas jogadas executadas pela nossa equipa. Não restrinjo o conceito a oportunidades de golo, mas a boas iniciativas colectivas nos vários momentos do jogo, desde a criação de uma ocasião soberana à desenvoltura com que o jogo benfiquista flui a partir de recuperações de bola. Não durou muito o exercício, perdi-me.

Ao intervalo, enquanto pensava na minha tentativa infrutífera de encontrar um facto que complementasse a subjectividade inerente à minha avaliação muito positiva sobre a qualidade de jogo da nossa equipa, lembrei-me de um dos meus contos preferidos de Aldous Huxley, “Eupompus deu esplendor à arte pelos números”. Nesse conto, Huxley refere os auto-denominados filarítmicos, cujo surgimento se deu após a observação obsessiva da obra-prima do pintor Eupompus, com cerca de 33 mil cisnes representados. Nada mais fizeram que contar pois, para os filarítmicos, contar e contemplar era a mesma coisa.

E eu conto, oh se contemplo. A veia goleadora de Seferovic, sem grandes penalidades, líder no campeonato; Rafa, a um golo do seu máximo de carreira numa temporada; as manifestações do génio de João Félix, ele próprio seguidor de uma escola, a messiana; os oito golos de Jonas no estádio da Luz esta época em pouco mais de cinco jogos completos, somando os minutos de utilização; os dribles de Grimaldo; os passes admiráveis de Gabriel; as assistências de Pizzi; os desarmes de Florentino... e, sobretudo, os pontos recuperados na classificação que nos permitiram voltar a sonhar com o título. Ciente das dificuldades que encontraremos no Dragão, sinto uma confiança inabalável na nossa equipa. Venceremos!


Jornal O Benfica - 1/3/2019

Futebolês

No estrangeiro e sem tempo para a habitual crónica, avanço com algumas sugestões que, eventualmente, não carecem de revisão, para um dicio...