sábado, 26 de maio de 2018

De cadeirinha...


O Sporting é um projecto falhado, sabotado inadvertidamente pelos próprios sportinguistas. Não me interpretem mal, este texto não é um exercício de comiseração, antes pelo contrário. É com incontida satisfação que chego a esta conclusão.

É preciso recuar aos primórdios do Sporting para se entender a falência do ideal leonino. Produto de uma iniciativa individual, motivada por uma birra, o Sporting foi fundado com o propósito do seu fundador jogar à bola com os amigos, razão primordial, também, do vincado elitismo característico no etos sportinguista. Mas jogar não era suficiente, ganhar fazia igualmente parte da equação e cedo os amigos foram substituídos por entusiastas mais aptos, a grande maioria do Sport Lisboa. Por, à época, não se tratar de uma questão técnico-táctica, mas de paixão pelo jogo, rapidamente o Sport Lisboa se reergueu e até acrescentou Benfica ao nome. Os anos passaram, a cobiça leonina aos melhores praticantes do Benfica tornou-se recorrente e o resto é história. Nem mesmo no seu período de maior fulgor desportivo, o Sporting conseguiu ser mais popular que o Benfica. A sua grandeza, indiscutivelmente assinalável, viu-se sempre aquém da ambicionada. O Sporting tornou-se popular, mas nunca o Benfica.

Não haverá um único sportinguista que coloque a questão nestes termos, mas o poder do subconsciente é inegável e é por isso que qualquer sportinguista populista de meia tigela sabe que, para arregimentar os seus correligionários, bastará a ilusão de conquistas e a diabolização do Benfica. Benfiquista, quer confundir o seu amigo sportinguista? Critique Bruno de Carvalho!

P.S. Bruno de Carvalho e o brunismo são prejudiciais ao futebol português.

Jornal O Benfica - 25/5/2018

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Futebolzinho português


Não fui dos que festejou efusivamente o segundo golo do Marítimo, mas senti-me contente. O segundo lugar, sendo o primeiro dos últimos para o Benfica, é mais que um mal menor. Se, e não será fácil, conseguirmos aceder à fase de grupos da Liga dos Campeões, teremos, além de bons adversários, uma receita mínima acima dos 40 milhões de euros. É um valor exorbitante para a nossa realidade, que nos aproximará minimamente dos cada vez mais afastados tubarões do futebol europeu.

Entretanto olhamos à nossa volta e percebemos porque ninguém, no estrangeiro, liga ao nosso futebol. Desorganização, estádios vazios, arbitragem sem credibilidade, clima permanente de guerrilha, políticas de comunicação terceiro-mundistas, suspeitas e mais suspeitas... E o que diz Proença? “Foi uma época extremamente positiva” e que o que lhe interessa é “fazer a defesa da salvaguarda do modelo de negócio das competições”. Logo ele que nunca se insurgiu contra o epíteto “Liga Salazar” ou que não teve oportunidade de criticar a devassa da correspondência privada, a difamação reiterada... Mas já nem lhe peço tanto… Poderia, talvez, mostrar algum desagrado por profissionais deste futebolzinho insultarem um adversário e os seus adeptos… Será vergonhoso se os insultos de jogadores portistas ao Benfica e aos benfiquistas não forem punidos exemplarmente.

P.S.: Não me contradirei… De acordo com o CM, os paladinos da verdade desportiva terão muito para explicar no andebol e futebol. Não se tratam de suspeições infundadas, são referidos nomes, jogos, montantes, haverá uma confissão… E é legítimo perguntar, a confirmar-se o teor da notícia, se haverá casos semelhantes noutras modalidades…

Jornal O Benfica - 18/5/2018

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Casa de complexo


Os insultos e as palavras de ordem jocosas dedicadas ao Benfica e aos benfiquistas são recorrentes nos festejos dos nossos principais adversários e, como tal, ainda mais por serem estimulados por responsáveis e protagonistas desses clubes, são demonstrativos do sentimento de inferioridade, em relação ao Benfica, de portistas e sportinguistas. Essa forma de estar vira-se contra eles: O Benfica, ganhando ou perdendo, sai sempre por cima.

O cântico mais entoado de acordo com a comunicação social, o “Penta Ciao”, é particularmente significativo. Adaptado da canção da resistência antifascista italiana, recordada, em 2018, à escala mundial devido ao sucesso da série espanhola “Casa de Papel”, serviu agora de expressão da alegria portista.

Nem sequer preciso de evocar a ironia da adopção de práticas comuns aos regimes fascistas –violação de correspondência privada, deturpação do conteúdo dessa correspondência, propaganda, intimidação, coacção – serem celebradas recorrendo a uma melodia que simboliza o repúdio a essas práticas. Menos ainda os adeptos do clube da inauguração do estádio englobada nas comemorações do Estado Novo cantarem a Bella Ciao… As voltas nos túmulos que grandes dirigentes do F.C. Porto, como, entre outros, Urgel Horta, salazarentos até à medula, estarão agora a dar… Basta a “Casa de Papel” que, muito resumidamente, é sobre um grupo de marginais que faz um grande assalto. E depois, ainda mais ironicamente, com o “Penta Ciao” os portistas tentam esfregar-nos na cara a nossa hecatombe, a nossa crise desportiva sem precedentes, esta coisa de não termos conseguido ganhar, pela quinta vez consecutiva, o Campeonato Nacional… Está tudo dito!

Jornal O Benfica - 11/5/2018

sexta-feira, 4 de maio de 2018

VMOCada


Bruno de Carvalho, no DN, fez um exercício de publicidade, do meu ponto de vista enganosa, sobre o virtuosismo da sua gestão e da situação financeira leonina em prol do próximo empréstimo obrigacionista da Sporting, SAD. Não sou seu correligionário nem investidor, mas há três passagens merecedoras de comentário.

Saber negociar: Investir em obrigações do Benfica poderá ser mais arriscado que no Sporting (cuja SAD, pela primeira vez na história das SAD, falhará um prazo de reembolso) devido ao possível desinteresse dos bancos em cobrirem um eventual incumprimento pois o Benfica deixou de ter relação com a banca. Sugere, portanto, que o Benfica, por não ter dívida à banca, poderá criar maior apreensão nos investidores que as entidades devedoras, incluindo, as incumpridoras.

A anedota: Diz que há um risco relativo a questões reputacionais associadas ao Benfica (emails). Avisem-no já: Pagar a tempo e horas mitiga o risco de desconfiança dos investidores!

O escândalo: “Preço de compra de cada VMOC a 30 cêntimos (…) sem aumento das taxas de juros e sem entrega de garantias adicionais aos bancos”. As VMOC, subscritas pelos bancos por 1€ cada, serão recompradas pela Sporting SAD por 0,30€. Significa isto que existe um perdão implícito de 70% a uma SAD que se gaba de ter um activo que “ascende a 287M€” e uma “boa situação financeira”. Por artes mágicas, 135M€ de dívida passam a 40. E relembro que um dos intervenientes, o Novo Banco, está intervencionado pelo Estado, tendo anunciado recentemente nova injecção de capital (721M€) por via de empréstimo estatal ao Fundo de Resolução… para cobrir imparidades. Caro contribuinte, seja bem-vindo à Junta de Salvação Leonina!

Jornal O Benfica - 4/5/2018

Sim

Hoje será realizada a Assembleia-Geral para a votação do Relatório e Contas do Sport Lisboa e Benfica. Enquanto escrevo, desconheço ainda ...