domingo, 18 de dezembro de 2022

Do despropósito...

Esta semana o jornal A Bola entendeu, pela enésima vez, assinalar o famigerado jogo dos 7-1 em Alvalade entre Sporting e Benfica. E logo com uma extensa entrevista, a qual mereceu honras de primeira página, a Manuel Fernandes, autor de um poker nessa partida.

Não está em causa o mérito da façanha do antigo avançado do Sporting, muito menos a relevância da sua carreira, mas é totalmente descabido que essa goleada imposta ao Benfica seja recuperada por tudo e por nada. “Há 36 anos o Sporting-Benfica teve desfecho histórico” é a frase de entrada da peça. Aguardarei serenamente pela entrevista anual a Manuel Fernandes sobre os 7-1, cuja publicação já estará, certamente, agendada para 14 de dezembro de 2023.

Também não está em causa a qualidade da entrevista. Que fique devidamente registado, aprecio o autor, António Simões, há muitos anos que aprendo com ele, admiro-lhe a escrita e noto, em cada frase da sua lavra, enorme paixão por futebol. Fosse o conteúdo o mesmo, mas outra a motivação, e eu pouco teria a apontar. Embora sinta que ficaram algumas perguntas por fazer, pelo que deixo umas sugestões para a esperada entrevista do próximo ano.

Como se sentiu quando, na penúltima jornada do Campeonato na época dos 7-1, fugiu do relvado do estádio da Luz após o jogo devido à invasão eufórica de milhares de benfiquistas após a conquista do título?

Que sensações teve, nessa mesma temporada, quando, como capitão do Sporting, esteve ao lado de Shéu na tribuna do estádio do Jamor enquanto o benfiquista erguia o troféu da Taça de Portugal e festejava com os adeptos?

Em que medida os festejos após essa goleada ao Benfica contribuíram para que o Sporting não tenha vencido qualquer dos seis jogos seguintes no Campeonato?

Como é possível que esse jogo seja ainda hoje assinalado – e não se preocupe que cá estaremos para o ano para o evocar– e o consulado do treinador Manuel José não tenha sobrevivido mais do que mês e meio ao feito?

Acha que os 7-1 conseguidos em 1986 são tão celebrizados, também, porque o último título sportinguista havia sido em 1982 e só em 2000, 2002 e 2020 o Sporting voltou a ser campeão?

Sendo o Sporting um clube que se auto-intitula, convenhamos que delirantemente, maior potência desportiva nacional, não considera que se menoriza de forma gritante sempre que assinala esta efeméride?

Como perspetiva que haja quem não compreenda que Manuel Fernandes se continue a prestar a este papel patético de contribuir para que o seu clube e a sua própria carreira sejam praticamente reduzidos a um jogo?

E, por fim, tendo em conta acontecimentos recentes, quem fez mais pelo Sporting, Manuel Fernandes ou o Millennium BCP?

Jornal O Benfica - 16/12/2022

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