segunda-feira, 14 de novembro de 2022

É para ganhar!

A contribuir para o meu fascínio pela leitura está a descoberta de palavras até então ignoradas, considerando algumas delas espantosas, indecifráveis até, desaconselhando a interpretação pelo sentido. A consulta de um dicionário resolve esse constrangimento, com a vantagem de as incrustar no meu léxico. Não poucas vezes tento, depois, usá-las quase como se de um exercício de sistematização do conhecimento recém-adquirido se trate, além de beneficiar de indisfarçável regozijo.

Numa semana em que volto a escrever este artigo de opinião antes que seja realizado um jogo cuja crónica já estará publicada nas primeiras páginas, arrisco de novo o tom ditirâmbico (cá está uma palavra descoberta há uns dias).

O que o Benfica tem feito ao longo da presente temporada e, em particular, nas últimas quatro partidas, impede o mínimo refreio de entusiasmo e convoca fantasias, por ora, bem sei, delirantes.

O sorteio da Liga dos Campeões que ditou o Brugges por adversário foi rapidamente extrapolado para uma eventual viagem a Istambul em junho. A goleada infligida ao Estoril e os oito pontos de avanço para o segundo classificado logo se traduziram numa antecipação de um título sem derrotas. Mereço condescendência: sou adepto confessada e orgulhosamente fanático, a tolerância que me é devida quanto ao optimismo desenfreado deve ser ilimitada.

E depois vejo-me temporariamente assoberbado pela razão e pergunto-me se não deveria proteger-me pública e intimamente. Na (por agora) improvável circunstância de as coisas correrem mal, evitaria que rivais se rissem à minha custa, enquanto melhor preparado estaria para lidar com a desilusão. E é preciso que se note que importa distinguir entre fantasias e reais expectativas, pois sei que chegar o mais longe possível na Champions e vencer o campeonato é o que, para já, se nos permite desejar.

Mas a palavra-chave é “temporariamente”. Que a razão esteja com dirigentes, estrutura, treinadores e jogadores, afinal é a eles que compete fazer por nos dar alegrias. A nós, adeptos, cabe-nos apoiar, ajudar na medida do possível e viver o clube da forma que mais nos aprouve. Eu escolho entusiasmar-me sem reservas, ciente de que amanhã poderá ser diferente.

Vale o seguinte: às 16:58 do dia 9 de novembro de 2022, sinto-me eufórico; depois do jogo com o Estoril, e depois, e depois, e depois (…), logo se verá.

Jornal O Benfica - 11/11/2022

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