terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Manuel Arons de Carvalho

Todos temos referências que nos influenciam de alguma forma. O Sport Lisboa e Benfica, pela paixão que desperta em milhões de adeptos, é uma força aglutinadora notável, possibilitando-nos o conhecimento de inúmeras pessoas, as quais, pelo exemplo, moldam a nossa extraordinária experiência que é vivermos e sentirmos o clube. Para mim, o Manuel Arons de Carvalho foi um desses benfiquistas.

Desde muito novo que leio as publicações relacionadas com o Benfica e logo me apercebi da existência do Arons. Foi, a determinada altura, o benfiquista de serviço nas grandes entrevistas do jornal O Benfica, além de estar indelevelmente associado à revista Benfica Ilustrado. Acrescia o facto do meu pai conhecê-lo desde os tempos de Liceu, o que me conferiu uma certa familiaridade, embora distante, com ele no início da minha adolescência. Terão sido raras as vezes em que interagimos nesses tempos, mas sabia bem quem era e tinha o selo de qualidade de ser alguém apreciado pelo meu pai.

Muitos anos mais tarde, em particular desde que fui autor de livros sobre o Benfica e iniciei a minha colaboração com o jornal enquanto cronista (esta é a minha 388ª crónica), passei a ter algum contacto regular com o Manuel Arons de Carvalho. Auxiliou-me várias vezes ao partilhar a sua cultura e dele recebi vários emails elogiosos em relação às minhas crónicas, artigos e livros, sendo que a todos reagi agradecido, com muita satisfação e redobrado orgulho.

É que o Manuel Arons de Carvalho, além de ser um fervoroso benfiquista, foi também, no meu caso e de tantos outros que se empenham em conhecer a história do Glorioso, uma inspiração e um exemplo.

A defesa acérrima do Benfica foi uma das suas características mais conhecidas; a faceta de historiador rigoroso do atletismo reservada aos mais atentos. E foi um dos que me alertou para algumas trapalhadas de federações e comunicação social relacionadas com a história do desporto português, nomeadamente relativas ao Benfica, respeitando sempre a minha opinião, mesmo quando, em raras ocasiões, divergiu da sua, nesses casos insistindo pacientemente nos seus pontos de vista ou aceitando os meus argumentos quando bem sustentados.

O Manuel Arons de Carvalho foi um indefectível benfiquista com superior cultura desportiva, um dos que estimulou o meu gosto pela história do Benfica e com quem muito aprendi e tive a honra e o privilégio de trocar opiniões. Não o esquecerei!

Jornal O Benfica - 23/12/2022

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