terça-feira, 1 de setembro de 2020

Regresso à normalidade

 Que ingenuidade, a de Marcelo Rebelo de Sousa, ao deixar-se instrumentalizar por uma personagem maior do lado pantanoso do futebol...

Por mera “coincidência”, os capitães do F.C. Porto, pouco antes da audiência de Marcelo a Pinto da Costa sobre o Porto Canal, insurgiram-se publicamente contra o que consideram ser um atentado à sua liberdade enquanto cidadãos. Lá falaram de coisas e, garantido o palco no final da reunião, o presidente portista debitou outras, incluindo considerações sobre a retoma das competições até que, finalmente, disse o que lhe interessava: não havendo jogos, o Porto deve ser o campeão, confundindo ao evocar o precedente da II Liga e do Campeonato de Portugal pois, como todos sabemos, mesmo havendo subidas e descidas, não há campeões. O objectivo parece-me evidente: se ganharem na secretaria, ficarão felizes (afinal, na secretaria ou em reuniões na Rua da Madalena, tanto faz), mas o que é mesmo essencial é assegurar a receita da presença na fase de grupos da Liga dos Campeões, não vá surgir pela frente um qualquer Krasnodar.

E o famigerado “centralismo”... Na boca de Pinto da Costa, regionalização soa sempre a regionalismo bacoco, assim como descentralização um mero veículo para a obtenção de mais benefícios. A descentralização que sempre lhe interessou já há muitos anos que está solidificada: Veja-se onde está a Liga e quem a lidera, de onde veio o presidente da Federação e quem de facto sempre tem mandado no Conselho de Arbitragem, para além das sempre úteis parcerias com autarquias amigas, que os custos de fazer um estádio, montar um canal de televisão ou usufruir de um centro de estágio são, fina ironia, demasiado elevados para quem os paga...

Jornal O Benfica - 15/05/2020

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