terça-feira, 1 de setembro de 2020

Bruno Lage

No auge da veneração a Lage e ao seu trabalho, pensei que faltava ver ainda duas facetas do nosso treinador para se aquilatar definitivamente a sua competência, conforme possível distanciada e amadoristicamente.

Como lidaria com o eventual insucesso, que quase não conhecera até então (a eliminação na Liga Europa criou alguma renitência, mas secundarizada face à extraordinária campanha no campeonato), e como planearia a época e construiria o plantel.

Não o escrevo para exibir supostos dotes de adivinhação ou uma pretensa capacidade invulgar de antecipação. Primeiro porque as dúvidas por mim colocadas eram meramente hipotéticas, eu admirava Lage. Segundo porque a nossa equipa iniciou a época brilhantemente e reagiu muito bem ao desaire caseiro com o Porto. Na Liga dos campeões, encarei o início titubeante como uma consequência, sobretudo, de lacunas competitivas do futebol português. Afinal de contas, passeávamos a nível nacional, apesar da tal derrota, e o desempenho na Europa até melhorou significativamente ao longo da fase de grupos.

O quase ano e meio de Lage deveria ser caso de estudo. Pela positiva e negativa, houve marcas significativas. O percurso é inusitado, com a extraordinária ascensão seguida de uma derrocada sem precedentes. Por exemplo, 18 triunfos nos primeiros 19 jogos do campeonato esta época, só superado pelo pleno de vitórias em 1972/73. Mas só dois triunfos nos últimos 13 jogos em competições oficiais, igualando os piores registos. E mesmo apenas com duas vitórias nas últimas dez jornadas, Lage ainda é o 3º melhor treinador de sempre do Benfica, em percentagem de vitórias, com mais de trinta jogos nesta prova. Há uns meses ninguém adivinharia este desfecho.

Jornal O Benfica - 03/07/2020

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