terça-feira, 31 de março de 2020

Aqui d'el Rei


Marega, como Tomás Tavares, Renato Sanches ou Nélson Semedo, só para evocar casos recentes relacionados com futebolistas do Benfica, foi vítima dos impropérios de energúmenos pouco imaginativos que recorreram ao insulto racista para antagonizarem um jogador da equipa adversária. O francês/maliano rejeitou a dupla acusação de ser adversário e ter a tez escura, disse basta e, muito legitimamente, recusou continuar em campo.

De repente, todos reconhecemos que há racismo em Portugal. E, ainda mais subitamente, apercebemo-nos da normalização da cultura do insulto e da violência nas bancadas dos estádios de futebol (e pavilhões). A urgência generalizada de se dizer qualquer coisa vitalizou até alguns espantalhos, como o Presidente da Liga, Pedro Proença, ou o Secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, obrigando-os a pronunciarem-se sobre o assunto, não obstante ainda recentemente, à semelhança de muitas outras situações, se terem remetido a um silêncio ensurdecedor acerca dos bonecos, trajados à Benfica e à árbitro, enforcados num viaduto. Mais vale tardíssimo que nunca.

Há muito que grassa o sentimento de impunidade no futebol, prevalecendo a inacção. E, por vezes, lá se estabelecem umas regras draconianas, obviamente impossíveis de serem cumpridas, para que se possa afirmar que alguma coisa se tentou fazer, apesar de ser evidente que apenas se perpetua o que está mal.

Dois pequenos passos: Dos clubes e comunicação social, rejeição dos eufemismos e condenação veemente da violência, incluindo a verbal, sem excepções, atenuantes ou relativizações; Responsabilização individual de quem pratica a violência (expulsão e recusa do acesso aos estádios; denúncia às autoridades).

Jornal O Benfica - 21/02/2020

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