terça-feira, 31 de agosto de 2021

Ouro e pechisbeque

Pichardo arrasou a concorrência no triplo salto e trouxe o ouro para Portugal, para grande alegria da nação, exceptuando, aparentemente, Nélson Évora e as suas viúvas.

Esteve bem José Manuel Constantino, presidente do COP, ao afirmar que Portugal só pode estar grato a Pichardo e a não se esquivar à polémica protagonizada por Évora, criticando-o implicitamente.

Talvez tivesse sido preferível que assumisse frontalidade, mas reconheço que tal centraria demasiado o mediatismo num outrora grande atleta, agora que o seu tempo claramente já passou, por muito que lhe custe a aceitar.

Mas o que Constantino não explicou (perguntaram-lhe?) foi a estranha ausência de referências aos clubes por parte de atletas durante os Jogos Olímpicos. Há rumores fundados de que existiu uma “recomendação” que as desaconselhou. Ao serviço de Portugal, que pouco ou nada faz pelo desporto, proíbe-se, por assim dizer, os atletas de referirem quem, de facto, lhes dá a possibilidade de singrarem ao mais alto nível. Bem justificado, pode aceitar-se o parco investimento do país, mas então que não se atropelem a aparecer nas fotografias junto dos campeões e reconheçam o mérito de quem o tem.

Com Pichardo é ainda mais gritante. Que não seja remetida para o esquecimento a deplorável “hesitação” da federação de atletismo em aceitar o contributo do nosso mais recente campeão olímpico, qual clube de fãs de Nélson Évora.

E uma palavra para o futebol. Ouro para os benfiquistas pelo apoio em Moreira de Cónegos e para a equipa que, notoriamente cansada e em inferioridade numérica, soube manter a vantagem e conquistar os três pontos. E ouro igualmente para o deserto nas zonas do cartão de adepto. Panaceias há muitas, mas esta é atentatória da dignidade…

Jornal O Benfica - 13/8/2021

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