segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Comissão de estatutos

Desde que assumiu o cargo da presidência, Rui Costa tem procurado, em cada uma das suas intervenções públicas, promover o diálogo e o confronto interno de ideias, num discurso conciliador e agregador, eivado de benfiquismo e subordinado a um dos traços identitários do Clube, bem explanado na nossa divisa E Pluribus Unum, que reflete, na tradução livre dos nossos fundadores, o mote “Um por todos e todos por um”.

Todos contamos nesta fabulosa quimera benfiquista, na perseguição utópica do clube perfeito e na defesa do ideal que nos une na paixão e na vontade.

O Benfica é, por definição, um clube incompleto, sempre aquém do idealizado. Todos almejamos um Benfica cada vez maior e melhor, somos insaciáveis e temos uma noção difusa do que desejamos, imperando a mutabilidade dos objetivos conforme as circunstâncias e em que a única constante nos remete para a ambição por um Benfica em permanente superação.

Todos somos muitos, cada um com a sua ideia de Benfica e visões distintas sobre o Clube, muitas vezes conflituantes. A divergência quanto aos caminhos que devemos trilhar é inevitável, mas salutar. A unidade, bem diferente do unanimismo, fortalece, recentra o foco e obsta às investidas adversárias, assumidas ou camufladas.

Os apelos à união têm sido comuns por parte de Rui Costa, deixando sempre bem claro que nenhum benfiquista, independentemente da sensibilidade em que se revê, é dispensável.

Mas as “palavras são como as cantigas, leva-as o vento”, já dizia Florbela Espanca que, por isso escreveu também que relevava os factos em detrimento das “palavras por bonitas que sejam”.

Foram muitos os sócios que clamaram por maior abertura e democraticidade no Clube e Rui Costa assumiu o compromisso de fazer desses valores uma das suas bandeiras, içando-a agora bem alto. Passou das palavras aos actos, é factual.

Assim, é da mais elementar justiça que se elogie e enalteça a composição da Comissão de Estatutos. Entre os seis consócios que a integram, figuram candidatos ou apoiantes de listas derrotadas nas últimas eleições. Não se trata de um mero pormenor, antes de um sinal inequívoco de uma visão inclusiva do Benfica, de uma liderança legitimada por muitos, mas que conta com todos.

Muito bem!

Jornal O Benfica - 26/11/2021

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