sexta-feira, 12 de março de 2021

Ouro

Sou daqueles apreciadores do atletismo das grandes ocasiões. Gosto, mas falta-me o hábito de ver. Se, por acaso, der com a fase decisiva de uma prova importante na televisão, não mudo de canal. Abençoado mediatismo, devo reconhecer, o dos Jogos Olímpicos, que me impede, de quatro em quatro anos, de ignorar olimpicamente (não resisti) a modalidade.

Gosto particularmente das especialidades “mais técnicas” – se é que esta categorização existe – e das provas de velocidade. Provas longas de corrida aborrecem-me; afinal, correr, para mim, só com uma bola nas mãos ou nos pés. E a resistência diz-me pouco. Entusiasmam-me, sobretudo, a destreza física e a técnica inerentes às tais especialidades “mais técnicas”.

E leva-me a colocar algumas interrogações que me parecem interessantes, convidativas à reflexão, sem desdém ou falta de respeito.

Por exemplo, o que motiva alguém a dar os primeiros passos no lançamento do martelo? Ou por que razão, não obstante as prováveis indicações médicas em contrário, há pessoas que correm com uma vara na mão para se elevarem aos céus? Será que os atletas vencedores são, de facto, os melhores? Ou, pelo contrário, outros haverá, nas modalidades mais populares, que se acaso tivessem praticado uma especialidade desde a infância estabeleceriam recordes e se tornariam campeões crónicos?

Como se vê, o meu interesse por atletismo só não é filosófico porque é meu. Já o de uns poucos, como agora novamente demonstrado com o ouro de Pichardo, apesar de inegavelmente apaixonado, informado e intenso, teima obstinadamente em escamotear o papel do Benfica neste sucesso. Na página da IAAF não constam recordes de contorcionismo intelectual, de outro modo pululariam as medalhas de ouro em Portugal.

Jornal O Benfica - 12/3/2021

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