domingo, 1 de julho de 2018

Futebol português


Há uma dose de sinceridade em Bruno de Carvalho, comum à grande maioria dos sportinguistas, que me garante um certo descanso na rivalidade com o Sporting. Por norma, os sportinguistas tendem a atribuir ao Benfica a responsabilidade, ou pelo menos parte dela, dos seus insucessos. O ódio, nos casos mais extremos, ou a inveja e desconfiança dos moderados, resultam na demonização do Benfica, desencadeando comportamentos e atitudes caracterizados, sobretudo, pela previsibilidade e constância. Por vezes incomodam, mas raramente produzem qualquer efeito. Não passam de barulho que, conforme a civilidade dos protagonistas de ocasião, somente varia no tom.

Contrariamente ao que possa parecer – e ao que os sentimentos primários poderão indicar – um Sporting fraco não nos beneficia, pelo contrário prejudica porque quando nada resta aos sportinguistas para festejar, sobra o anseio de que também os benfiquistas nada tenham para celebrar. E refastelados a observarem esta dinâmica e dela procurarem retirar vantagens estão os portistas, os verdadeiros beneficiários da descaracterização leonina verificada nas últimas décadas.

Acresce que, desde o início dos anos 80, os diferentes protagonistas portistas, sempre sob a mesma liderança, não obstante a evidente obstinação anti-benfiquista, têm sabido dissimular a sua postura, ora optando pelo confronto declarado, ora gerindo o silêncio e emprestando o palco, geralmente ao Sporting, mas não sempre (Braga em 2010, também o anónimo em 2018), para que os “custos” da luta contra o Benfica sejam distribuídos. Recorrem, para isso, a tácticas sórdidas e a alianças de ocasião, não é novidade. Caber-nos-á sermos superiores a isso tudo.

Jornal O Benfica - 29/6/2018

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