domingo, 28 de abril de 2019

Félix e Lage


Quem acompanha as camadas jovens benfiquistas, não se surpreende com as características de João Félix. A inteligência superlativa, a técnica ímpar, a criatividade reservada a poucos, o repentismo fascinante e o faro apuradíssimo pelo golo há muito que estavam identificados. Faltava somente, até para os mais entusiastas pelo seu potencial, aferir se teria capacidade para, num patamar competitivo mais exigente, continuar a demonstrar o seu raro talento.

Rui Vitória não lhe ficou indiferente, cedo apostando nele. No entanto, por convicção ou cedência ao modelo táctico (4-3-3, com extremos abertos), ou ambas, o anterior técnico benfiquista utilizou Félix quase sempre numa das faixas, geralmente a esquerda, e sem a firmeza que a capacidade do jogador já merecia (31 jogos possíveis, 14 utilizado, 5 titular, 3 golos, 1 assistência).

A chegada de Bruno Lage revolucionou o futebol benfiquista e é impossível dissociar essa mudança da aposta convicta em João Félix. A alteração para o 4-4-2 permitiu o regresso de Félix a uma posição central no sector atacante (ou a crença de Lage em Félix permitiu a alteração do modelo táctico), tendo logo bisado no primeiro desafio da era Lage, cuja chegada conferiu ao prodígio do ataque benfiquista o estatuto de titular, o qual actuou em 25 jogos (24 no onze inicial), fazendo 15 golos e 7 assistências, além de se revelar peça fulcral em toda a dinâmica ofensiva da equipa. Só na Alemanha Félix não jogou na posição em que mais se tem notabilizado. Mas se há alguém autorizado a ter tomado essa decisão, é Lage. Não só por ser o treinador, mas por ser aquele que mais acreditou no “miúdo” e verdadeiramente o lançou.

Jornal O Benfica - 26/4/2019

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