sexta-feira, 4 de maio de 2018

VMOCada


Bruno de Carvalho, no DN, fez um exercício de publicidade, do meu ponto de vista enganosa, sobre o virtuosismo da sua gestão e da situação financeira leonina em prol do próximo empréstimo obrigacionista da Sporting, SAD. Não sou seu correligionário nem investidor, mas há três passagens merecedoras de comentário.

Saber negociar: Investir em obrigações do Benfica poderá ser mais arriscado que no Sporting (cuja SAD, pela primeira vez na história das SAD, falhará um prazo de reembolso) devido ao possível desinteresse dos bancos em cobrirem um eventual incumprimento pois o Benfica deixou de ter relação com a banca. Sugere, portanto, que o Benfica, por não ter dívida à banca, poderá criar maior apreensão nos investidores que as entidades devedoras, incluindo, as incumpridoras.

A anedota: Diz que há um risco relativo a questões reputacionais associadas ao Benfica (emails). Avisem-no já: Pagar a tempo e horas mitiga o risco de desconfiança dos investidores!

O escândalo: “Preço de compra de cada VMOC a 30 cêntimos (…) sem aumento das taxas de juros e sem entrega de garantias adicionais aos bancos”. As VMOC, subscritas pelos bancos por 1€ cada, serão recompradas pela Sporting SAD por 0,30€. Significa isto que existe um perdão implícito de 70% a uma SAD que se gaba de ter um activo que “ascende a 287M€” e uma “boa situação financeira”. Por artes mágicas, 135M€ de dívida passam a 40. E relembro que um dos intervenientes, o Novo Banco, está intervencionado pelo Estado, tendo anunciado recentemente nova injecção de capital (721M€) por via de empréstimo estatal ao Fundo de Resolução… para cobrir imparidades. Caro contribuinte, seja bem-vindo à Junta de Salvação Leonina!

Jornal O Benfica - 4/5/2018

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