segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Vamos ganhar!

Tenho lido e ouvido repetidamente uma ladainha sobre atributos do FC Porto que já enjoa. Não é desta semana, tem anos. E sempre que há um clássico, lá vem ela, qual mantra de pessimistas e mal-intencionados.

“Contra o Benfica, é o jogo da vida deles”, “medo cénico”, “aguentam melhor a pressão” e outros que tais, todos querem dizer o mesmo e nenhum tem validade se pararmos por um segundo e nos lembrarmos que, nas últimas três partidas, ou seja desde que Roger Schmidt chegou ao Benfica, foram duas vitórias para o nosso lado, qualquer delas antecedida por estes mesmíssimos argumentos.

E que tal olhar para cada um dos jogadores mais utilizados do Benfica e tentar descortinar essa suposta sina. Mas quem, afinal, se amedronta, ou seja lá o que for? Um dos muitos estrangeiros, quase todos há pouco tempo em Portugal? O Otamendi? Deixem-me rir. O Di María dos grandes palcos? Só pode ser piada. Os portugueses, como o António Silva e o João Neves, que não tremem e parecem ter nascido ensinados sobre como se joga futebol? Ou o Rafa, que até já marcou duas vezes no Dragão em triunfos benfiquistas? Por favor…

O que esta conversa reflecte é o pessimismo de alguns benfiquistas e, sobretudo, a vontade dos nossos adversários. Tomara eles que a historieta do medo fosse verdadeira. E tentam que o seja, disso não duvido. Se se socorreram de Delanes Vieiras e Alexandrinos, não hão-de acreditar no poder de sugestão, que até é comprovado cientificamente?

Este discurso, ainda por cima, é pernicioso. Relega, para um plano secundário, as duas vitórias nos últimos três jogos, os inúmeros exemplos de arbitragens prejudiciais ao Benfica ao longo de décadas e também erros próprios, que os houve, em diversos desafios. Além de alimentar os anseios dos benfiquistas, logo muito audíveis durante o jogo caso o FC Porto esteja por cima durante cinco minutos (como se tal fosse inconcebível perante um bom adversário), correndo-se, aí sim, o perigo da equipa se enervar.

A realidade é esta: o Benfica tem um treinador capaz de implementar um futebol mais atrativo e um plantel melhor. Tem jogado uns furos claramente acima, tem tudo para ganhar hoje, assim como o fez na Supertaça.

Tal significa que o jogo é fácil e a vitória está assegurada? De todo. O FC Porto tem potencial para ser organizado defensivamente, jogará nos limites da agressividade que o árbitro permitir, torneará as dificuldades da pressão alta do Benfica com passes longos, apostará muito nos duelos individuais e segundas bolas, tentará ocupar o meio-campo encarnado, colocará vários jogadores na área benfiquista e terá uma equipa, apesar de menos talentosa, evidentemente mais física.

E então? Não foram exactamente estes os predicados tão propalados antes da Supertaça com o resultado que se conhece?

Desconheço antecipadamente, como é óbvio, o desfecho do jogo. Só sei que estou confiante e a razão é simples: a equipa do Benfica merece que se confie nela.

Jornal O Benfica - 29/9/2023

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