segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Semana agridoce

A vitória ao FC Porto foi mais do que justa. O Benfica, porque tem mais equipa e joga melhor, ganhou conforme esperado, pecando somente pelo resultado escasso. Foi bastante superior, mereceu o triunfo. A derrota com o Inter espelha a superioridade dos italianos na segunda parte e Trubin foi o melhor em campo.

No clássico, Roger Schmidt surpreendeu com a presença de Di María e Neres no onze inicial. Mais do que o argentino ter marcado assistido pelo brasileiro, saliento a dificuldade que a equipa do FC Porto teve para suster as investidas benfiquistas sempre que a bola circulou com velocidade de um lado ao outro do campo. Nessas situações, o talento individual, mais liberto do espartilho portista, fez a diferença. Não fosse a ineficácia, teria sido goleada.

Ouvi e li até à exaustão que o vermelho mostrado a Fábio Cardoso condicionou o FC Porto e enviesa a análise. É evidente que condicionou e teve influência, mas discordo da tese do enviesamento da análise.

Recuemos à Supertaça, disputada em agosto: o FC Porto começou melhor, pressionante, teve mais remates. O Benfica equilibrou o jogo por volta dos 20/25 minutos, Roger Schmidt fez alterações ao intervalo e a partida mudou, com o Benfica a ser muito superior e a ganhar por 2-0. Desta feita, não foi diferente: o FC Porto teve o ímpeto inicial, embora bem menor do que no jogo anterior. Fábio Cardoso foi expulso e a toada passou a ser de equilíbrio. Ao intervalo, Roger Schmidt fez mudanças, não de jogadores, mas, pareceu-me, da forma como Neves e Kokcu estavam a atacar, assumindo o risco de passes verticais e a fazerem circular a bola mais rapidamente, e só deu Benfica. Tendo em conta a Supertaça, alguém poderá afirmar que, com Fábio Cardoso em campo, o rumo do jogo não seria mais ou menos o mesmo?

E nada disto pode escamotear o facto de a expulsão ter sido mais do que justa. Um lance que nasce numa transição rápida e tem em Neres, que jogou no onze com Di María para surpresa de toda a gente, o protagonista mor (eu próprio, que coloquei essa hipótese na BTV após o jogo com o Portimonense, não acreditei, no dia do clássico, que pudesse acontecer).

Aliás, para Artur Soares Dias, o VAR do jogo, até houve uma expulsão perdoada. João Pinheiro talvez tenha razão em ter optado pelo amarelo, mas mais importante é perceber como essa jogada aconteceu, em tudo similar à da expulsão, mas protagonizada por Rafa. Ou seja, o Benfica teve uma estratégia muito bem definida naquela primeira parte, sabendo que os jogos – tanto este como o da Supertaça e todos – têm duas metades.

E o mesmo se aplica a Milão. O inter alterou ao intervalo subindo as linhas e o Benfica não foi capaz de suster as investidas adversárias. A primeira parte foi positiva, a melhor oportunidade é mesmo do Benfica e ficou um penálti por assinalar sobre Neres (já me cansa ser prejudicado pela arbitragem frente ao Inter). No segundo tempo, os italianos foram claramente superiores.

Muito bem esteve Trubin, que já estava a ser queimado por tanta gente ao fim de dois ou três jogos. Houve até um jornal que teve o desplante de entrevistar um antigo guarda-redes, agora treinador de um clube da segunda divisão ucraniana, que nada mais fez do que regurgitar um arrazoado de críticas ao jovem guarda-redes seu compatriota. Pareceu escolhido a dedo. E é com o dedo apontado que eu pergunto: quando sai a próxima entrevista a esse perito?

Termino dizendo que já tive tempo, desde terça-feira, para confirmar dois dados que até cheguei a duvidar em função do que tem sido dito desde o jogo: sim, o Inter foi mesmo à final da Liga dos Campeões na temporada passada e lidera a Serie A.

Jornal O Benfica - 6/10/2023

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