sábado, 16 de junho de 2018

Causa justa


Muito se fala de Paulo Sousa e Pacheco por estes dias, como se estes nossos antigos atletas, e em particular a sua deserção para o Sporting num momento periclitante da nossa história, mereçam tornar-se na motivação de seja o que for no Benfica. Outros houve, desde 1907, que, por razões diversas, tomaram o mesmo caminho. Nem os supra citados, nem os restantes justificam o sentimento de vingança pela nossa parte. Para esses profissionais não há dinheiro que tenha pago o castigo auto-infligido da troca do maior clube português por uma agremiação movida a ódio, inveja e inferioridade. Para o Sporting, em todos os casos, restou a satisfação pífia e efémera da tentativa de ferimento do Benfica e, sobretudo, a frustração de nunca ter conseguido inverter a relação de forças entre os rivais.

Não quero com isto afirmar que o Benfica deverá evitar a contratação de atletas livres por terem representado o Sporting. Pelo contrário, defendo que o Benfica deverá sempre interessar-se pelos melhores ao seu alcance independentemente da sua proveniência e desde que o investimento assente em expectativas reais de retorno desportivo e/ou financeiro. Caso aconteça, não se tratará de uma vingança, mas do puro e simples apetrechamento do nosso plantel. A eventual perda de competitividade do nosso campeonato é um assunto que não me diz respeito, não sou sportinguista… E quanto às juras de solidariedade portista, a hipocrisia é, de facto, podre, como algumas maçãs, e frutífera, como algumas pereiras.

Deixo, no entanto, uma recomendação. Se contratarmos alguns ex-jogadores do Sporting, que não os exibamos como um troféu. Tratar-se-á, não duvidemos, de uma promoção para esses atletas.

Jornal O Benfica - 15/6/2018

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