segunda-feira, 20 de novembro de 2023

As crises do Benfica

A do treinador, que já perdeu, desde que chegou ao Benfica, um dos sete jogos frente a Sporting e Porto, ganhando somente quatro, três na presente temporada, um deles valendo a conquista da Supertaça, não conseguindo sequer, neste particular, apresentar um número redondo como os 10 clássicos e dérbis consecutivos sem ganhar de Rúben Amorim ou arranjar desculpa atrás de desculpa para justificar insucessos como é costume de Sérgio Conceição. E que, em 45 jornadas do campeonato com Roger Schmidt, o Benfica só tenha estado na frente em 35, agora e em todas de 2022/23;

A do plantel, por ter vários jogadores lesionados ou que já se lesionaram na presente temporada, não podendo tais ocorrências, como é óbvio, conferir qualquer margem de tolerância relativamente ao desempenho. Também por terem deixado tudo em campo com o Sporting, tornando a recuperação física mais exigente;

A exibicional, sobre a qual o último jogo, frente ao Sporting, é elucidativo: mais golos, mais remates, mais remates enquadrados, mais oportunidades de golo criadas, mais golos esperados, mais bolas nos ferros, mais cantos, mais posse de bola, mais toques na bola, mais dribles bem-sucedidos e percentagem de sucesso mais alta de dribles, mais duelos ganhos, incluindo aéreos, mais recuperações de bola, mais passes efectuados, acertados e decisivos, mais garra, mais cabeça (e, segundo os analistas, mais dois possíveis penáltis sonegados)… tudo, mas mesmo tudo mais, menos as faltas cometidas, os erros e os golos sofridos, além, claro, da justiça da vitória, que essa, como só poderia ser, deve ser atribuída por inteiro ao Sporting porque sim;

A institucional, cuja instabilidade já motivou desacatos e pancadaria na mais recente Assembleia-Geral do FC Porto;

A financeira, pelos capitais próprios da SAD que, apesar de se situarem acima dos 113 milhões de euros, em gritante contraste com a do FC Porto e muito acima da sportinguista (mesmo com a caríssima ajuda da banca), estarem muitíssimo abaixo da valorização bolsista de todas as empresas do Nasdaq e do Nyse, em conjunto;

Por fim, a associativa, porque, se é provável que o Sport Lisboa e Benfica tenha mais sócios do que todos os outros clubes juntos e angarie receitas de quotização em idêntica proporção, a verdade é que somos menos de dez milhões e não conseguimos ter uma média de 200 mil espectadores por jogo no Estádio da Luz.

São tantas as crises que nem sobra uma, por mini que seja, para os outros.

Jornal O Benfica - 17/11/2023

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