segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Bons sinais

Feliz da equipa que, num “jogo complicado”, ganhou 3-1 ao oitavo classificado, desperdiçou várias oportunidades de golo, incluindo uma grande penalidade, e quase não as concedeu ao adversário, teve 70% de posse de bola e fez 18 remates (10 enquadrados mais um ao poste). É verdade que o Benfica foi bloqueado pelo Boavista na primeira parte – ainda assim o mais ajustado ao intervalo seria a vantagem benfiquista – mas, corrijam-me se estiver enganado, os jogos ainda têm 90 minutos acrescidos de tempo adicional.

Infeliz do futebol que tem um dos seus principais clubes a fazer da propaganda uma das suas principais armas. E fazem-no despudoradamente há décadas. A vitória frente ao Rio Ave na última jornada é só o mais recente exemplo: favorecidos inacreditavelmente pela arbitragem, logo trataram de a criticar. Se fosse piada, já ninguém se riria de tão gasta que está. Mas é para ser levado a sério, até porque aqueles do apito e do var, tão permeáveis que são à pressão e ao condicionamento, já para não referir que os erros, em benefício de uns e em prejuízo de outros, são recompensados (o incompetente no VAR do Braga-Benfica foi, passados dez dias, VAR do Chaves-Sporting).

Miserável o país que tem um Ministério Público que, a crer na CNN Portugal, acusa um clube de subornar outro baseando-se numa compra de um jogador que, no último jogo entre ambos, cometeu uma grande penalidade. Ao aprofundar a teoria, faltam-me os qualificativos: o jogador foi dos melhores em campo, o penálti deveu-se a bola na mão (o braço estava em posição natural, há uns anos nem seria falta). O motivo era a qualificação para as rondas de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões. Além da vitória nesse jogo ainda era necessário que o concorrente directo fizesse um resultado pior, o que veio a acontecer com um frango do guarda-redes que, “inexplicavelmente”, parece não estar sob suspeita do Ministério Público.

O primeiro ponto explica o timing dos dois últimos. Bem vistas as coisas, são bons sinais.

Assim como o são o que a equipa foi capaz de correr, com velocidade, em toda a segunda parte passados cinco dias de uma deslocação nos oitavos de final da Liga dos Campeões e a extrema utilidade dos jogadores lançados a partir do banco por Roger Schmidt. Façamos o nosso caminho, estamos no rumo certo.

Jornal O Benfica - 24/2/2023

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