terça-feira, 12 de maio de 2020

Quarentena VI


Na semana passada fomos brindados pelo New York Times com um artigo sobre a justiça e o futebol portugueses. Lá como cá, usou-se Benfica para garantir leitores, quer no título, quer a abrir o texto. Isso é perceptível através da leitura da peça, o que exige saber inglês e não ser preguiçoso ou mal-intencionado.

Assim que foi publicado, os propagandistas de meia tijela portistas logo se apressaram, quase acotovelando-se, a destacar o tal artigo, ambicionando figurarem no pódio do servilismo, recheado de anti-benfiquismo, voluntarista e acrítico ao Papa. Alguma comunicação social portuguesa aproveitou a deixa – concertadamente ou por mera vocação ou incompetência (selectiva?) – e replicou os dislates dos outros miseráveis sem dar igual destaque ao conteúdo do artigo por inteiro. E, claro, alguns tontos do Lumiar aproveitaram para darem uma prova de vida.

O artigo parte da escusa pedida pelo juiz nomeado no caso de Rui Pinto para especular sobre a influência social do Benfica e... dos outros dois “grandes”. O jornalista omite que o Benfica nada tem que ver com o caso e surgem declarações especulativas, nos primeiros parágrafos, de “algumas pessoas” e da Madre Ana Gomes do Rato. Porém, a peça continua, o que, tudo espremido, sobra a única acusação concreta, convenientemente ignorada, que passo a transcrever: “Pinto da Costa foi ilibado do envolvimento num escândalo de corrupção após as provas de escutas telefónicas que indiciavam a sua ligação a um esquema de suborno a árbitros terem sido consideradas inadmissíveis por um juiz”. Obrigado, portanto, aos propagandistas de algibeira andrades, recomendando-lhes que leiam integralmente os artigos que publicitam alegremente...

Jornal O Benfica - 01/08/2020

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